Mt 10, 26-33
Por três vezes Jesus repete: “Não tenhais medo”, por qual motivo? O primeiro motivo é de que a violência contra os discípulos possa prevalecer sobre a missão que eles receberam. Jesus garante que nada é mais forte do que a mensagem que eles carregam: ela transformará o mundo. O que aconteceu a Jesus é exemplo disso.
Seus inimigos pensavam ter acabado com ele pregando-o na cruz, mas ele na Pascoa ressuscitou. Mateus escreve essas palavras a uma Igreja que enfrentava perseguição. Na época, o imperador romano Domiciano obrigava os súditos a venera-lo como um deus, fazendo erguer estátuas em todo lugar do império. O segundo motivo é o medo dos discípulos ser machucados, ou até ser mortos (v.28).
Por mais que os inimigos do evangelho multipliquem a persecução, eles não têm poder de tirar a vida que os discípulos receberam de Deus. Como escrevia São Paulo na carta aos Romanos: “Nem a tribulação, nem a angústia, nem a persecução, nem a fome, nem a nudez, nem a espada…, nada poderá nunca nos separar do amor de Deus que se manifestou em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,35-38).
Tem, porém, alguém que devemos temer, continua Jesus. Aquele que tem o poder de destruir a alma e o corpo (v,28). Esse inimigo não é externo à nossa vida, é o mal que se esconde dentro de nós e que pode nos levar a travar lutas contra o caminho de Deus. Se faz necessário então travar uma luta contra nós mesmos e o nosso medo.
Acontece muito, por medo de f icar sozinhos, de cultivar amizades ambíguas ou ligações que nos tornam escravos e nos impedem de viver. Por medo, nos comportamos de forma covarde, recorrendo à mentira e cometendo injustiças. O medo nos impede de realizar de forma positiva a nossa vida. O terceiro motivo do medo é que a persecução alcance quem está perto de nós e que pode sofrer consequências negativas.
A esse respeito, Jesus lembra a confiança na providencia divina. O ensinamento de Jesus termina com uma promessa: ele reconhecerá frente ao Pai a quem com coragem o reconheceu na atuação na vida dele. Quem na sua vida não quis incomodar ninguém, se adequou aos critérios do mundo e -talvez sem se dar conta- renunciou ao Reino de Deus.