A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) confirmou o afastamento operacional do investigador Enoque Galvão, suspeito de utilizar o cargo para facilitar o acesso irregular de pessoas à cela do irmão, o treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão, investigado por suspeita de abuso sexual contra alunas durante treinos.
A suspeita de favorecimento surgiu após a instituição identificar que Melqui teria realizado uma videochamada de dentro da unidade prisional. Segundo a polícia, foram realizadas inspeções internas no dia 2 de maio pela própria PC-AM e, em 4 de maio, uma nova varredura ocorreu com acompanhamento do Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Enoque Galvão responderá a processos administrativos disciplinares perante a Corregedoria-Geral, que apura possível desvio de conduta e a entrada de um celular na unidade prisional.
De acordo com denúncias apresentadas pela deputada estadual Alessandra Campêlo na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Melqui Galvão teria ameaçado e tentado chantagear testemunhas, oferecendo apoio financeiro e benefícios relacionados à academia em troca da mudança de depoimentos para favorecer sua saída da prisão.
As investigações contra Melqui são conduzidas pela 8ª Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DDM), após denúncias feitas por ex-alunas. Uma adolescente de 17 anos relatou ter sofrido atos libidinosos sem consentimento durante uma competição internacional. Pelo menos três vítimas já prestaram depoimento, incluindo uma mulher que afirmou ter sofrido abusos quando tinha apenas 12 anos.
Os denunciantes também entregaram à polícia uma gravação em que Melqui supostamente admite os fatos de forma indireta e oferece compensação financeira para evitar que o caso fosse levado às autoridades.
Melqui Galvão viajou ao Amazonas menos de 24 horas antes de ser preso. Após articulação entre as polícias, ele se apresentou em Manaus, onde teve o mandado de prisão temporária cumprido. Paralelamente, três mandados de busca e apreensão foram executados em endereços ligados ao treinador em Jundiaí, interior de São Paulo.
Devido à gravidade das denúncias, a Polícia Civil determinou o afastamento cautelar de Melqui de suas funções como servidor efetivo da instituição, onde atuava como instrutor de defesa pessoal no setor de capacitação.
Conhecido internacionalmente no cenário do jiu-jitsu, Melqui Galvão é faixa-preta e líder de uma academia de alto rendimento na zona norte de Manaus, sendo reconhecido pela formação de atletas de elite e por treinamentos voltados às forças de segurança do estado.
As investigações seguem em andamento, com depoimentos presenciais e virtuais, enquanto a Corregedoria-Geral apura a conduta do investigador Enoque Galvão no sistema prisional.