Nova fase de operação contra Ciro Nogueira pode impactar acordo de delação de banqueiro

Investigação da Polícia Federal sobre o caso Banco Master segue avançando enquanto proposta de colaboração de Daniel Vorcaro é analisada pelo STF
Redação Imediato Online
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A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal e que teve como alvo o senador Ciro Nogueira, pode influenciar diretamente as negociações envolvendo uma possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. A avaliação é de especialistas em direito criminal ouvidos pela imprensa nacional.

A defesa de Vorcaro apresentou uma proposta inicial de colaboração premiada na última quarta-feira (6). O material está sendo analisado pela Polícia Federal, pela Procuradoria-Geral da República e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, responsável pela condução do caso na Corte.

Segundo especialistas, a continuidade das investigações mesmo após a apresentação da proposta demonstra que as autoridades esperam informações inéditas e relevantes para validar um eventual acordo. A avaliação é de que relatos já conhecidos pela Polícia Federal não seriam suficientes para garantir benefícios ao investigado.

Informações divulgadas pela imprensa apontam que o conteúdo inicial da delação teria sido considerado insuficiente por não detalhar a participação de autoridades mencionadas nas investigações. O nome do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por exemplo, não teria sido citado, apesar de conversas apreendidas durante a apuração indicarem contatos entre ele e Vorcaro. Alcolumbre nega qualquer irregularidade.

A investigação também apura um investimento de R$ 400 milhões realizado pelo fundo de previdência do Amapá em títulos ligados ao Banco Master. O aporte teria ocorrido durante a gestão de um aliado político do senador.

Na nova fase da operação, a Polícia Federal apontou ainda suspeitas de favorecimento ao Banco Master envolvendo Ciro Nogueira. De acordo com os investigadores, o senador teria recebido vantagens e apresentado uma proposta legislativa elaborada por assessores ligados ao banqueiro. A defesa do parlamentar negou irregularidades e afirmou que ele está à disposição para prestar esclarecimentos.

O gabinete do ministro André Mendonça informou que ainda não teve acesso ao conteúdo da proposta de delação e ressaltou que acordos de colaboração premiada precisam apresentar resultados concretos para produzir efeitos jurídicos.

Além de Daniel Vorcaro, outros investigados no caso também negociam acordos de colaboração com as autoridades, entre eles Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, e o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa.

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