Novos vídeos que circulam nas redes sociais mostram suspeitos de agredir um homem em situação de rua testando uma arma de choque dentro de uma garagem e, em outro momento, utilizando o dispositivo em grupo dentro da instituição de ensino em Belém.
As imagens ampliam a repercussão do caso que já vinha sendo investigado após o ataque registrado em frente ao Centro Universitário do Pará (Cesupa), no bairro do Umarizal.
Ataques podem não ser recentes
De acordo com relato de uma testemunha, as agressões contra o homem em situação de rua não são recentes e já vinham acontecendo desde o período do Carnaval. “Essa situação não é de agora. Durante o Carnaval, eu vi um carro, um Jeep branco, passando várias vezes e jogando bombinhas perto dele para acordar. Depois jogaram até uma garrafa com líquido. Era sempre o mesmo grupo.”
Segundo a testemunha, os suspeitos retornaram em diferentes dias e passaram a intensificar as ações, sempre registrando as abordagens. “Eles davam voltas no quarteirão e a cada volta jogavam bombinhas. Depois começaram a filmar tudo, como se fosse diversão.”
Uso de extintor e perseguição
Ainda conforme o relato, em uma das ocasiões, os suspeitos teriam utilizado um extintor de incêndio contra a vítima enquanto gravavam a ação. “Um deles desceu do carro com o rosto coberto e usou um extintor contra o morador de rua, enquanto outra pessoa filmava. Eles riam e iam embora.” A testemunha afirma que o comportamento se repetiu ao longo dos dias, indicando uma possível perseguição.
Relação com caso do taser
Os novos vídeos reforçam a suspeita de que o mesmo grupo esteja envolvido no episódio mais recente, em que o homem foi atingido com uma arma de choque. “Nas duas situações eles estão filmando. Parece que fazem isso como um tipo de trote. Isso virou algo banal para eles.” Segundo a testemunha, o fato de os suspeitos saberem onde a vítima costumava dormir pode indicar ligação com a área ou com a instituição.
Revoltante e inaceitável
Pelas redes sociais, o prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), classificou o episódio como “revoltante e inaceitável”. Em vídeo, o político informou que oficiou a Polícia Civil a adotar todas as medidas cabíveis para que os envolvidos sejam “punidos com o rigor da lei”.
Na mesma publicação, Normando disse que o homem em situação de rua foi localizado e encaminhado a um centro de acolhimento. “Não vamos normalizar o absurdo. Nenhum crime contra a dignidade humana ficará impune por nós e pelas autoridades. Vamos garantir que essa pessoa possa ter todo o nosso acolhimento necessário e vamos trabalhar para que atos como esse não ocorram na cidade”, disse.
Investigação
Após o caso ser exposto o estudante foi levado até a Seccional de São Brás, juntamente com o equipamento apreendido. Em nota, a Polícia Civil disse que um boletim de ocorrência foi registrado na unidade policial e o caso será investigado. O caso é investigado após ganhar repercussão com vídeos que mostram o momento em que o homem em situação de rua é atingido por descargas elétricas.
O Ministério Público Federal já instaurou procedimento para apurar o caso, enquanto a Polícia Civil conduz a investigação na esfera penal.
A instituição de ensino informou que afastou os alunos envolvidos e abriu procedimento interno para apuração dos fatos.
As investigações seguem para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão das agressões registradas.