Ao anunciar nesta segunda-feira (2) que permanecerá no cargo até o fim do mandato, o governador do Amazonas, Wilson Lima, provocou mudanças no cenário político para as eleições de 2026. A decisão de não disputar o Senado neste momento interrompeu articulações em andamento, abriu espaço para novos nomes na corrida pela Câmara Alta e influenciou diretamente a disputa pelo Governo do Estado.
Com a permanência no Executivo até dezembro, o governador mantém o controle da estrutura administrativa estadual, considerada estratégica em eleições majoritárias. O movimento ocorre após um período de dois anos marcado por desgastes e distanciamentos com diferentes campos políticos.
Relação com David Almeida
O prefeito de Manaus, David Almeida, aparece como um dos nomes citados em possíveis composições. Embora tenham sido aliados, a relação entre os dois se enfraqueceu após a reeleição municipal. Em 2022, Wilson Lima não participou da indicação do vice na chapa de David, episódio apontado como marco do afastamento.
Nos últimos dois anos, aliados do prefeito fizeram críticas públicas à condução da segurança estadual, houve disputas por protagonismo político na capital e embates frequentes entre apoiadores nas redes sociais. Projetos conjuntos tornaram-se menos recorrentes e, quando ocorreram, tiveram caráter institucional.
Interlocutores avaliam que uma eventual reaproximação exigiria reconstrução política formal, diante de resistências existentes em parte da base estadual.
Grupo de Omar Aziz
O senador Omar Aziz e aliados mantiveram postura crítica à gestão estadual. Parlamentares ligados ao grupo questionaram decisões administrativas do governo e reforçaram posicionamentos alternativos ao Executivo.
Nos bastidores da Assembleia Legislativa, o nome do senador é apontado como tendo menor resistência entre parte dos deputados estaduais próximos ao governo. Um possível alinhamento, contudo, teria reflexos no cenário nacional, já que Omar integra a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Campo conservador e PL
No campo da direita, especialmente entre lideranças ligadas ao PL e ao bolsonarismo, a aproximação partiu do próprio governador nos últimos meses. Wilson participou de eventos do segmento e sinalizou alinhamento em pautas ideológicas.
Ainda assim, houve manifestações críticas de nomes como Delegado Péricles, Coronel Rosses e Sargento Salazar, que apontaram divergências ideológicas e administrativas.
A pré-candidatura de Maria do Carmo Seffair consolidou um projeto próprio dentro do grupo, reduzindo a possibilidade de alinhamento automático com o atual chefe do Executivo.
Candidato do próprio grupo
Diante do cenário de tensões, cresce a avaliação de que o governador possa apoiar um nome do próprio grupo político. O vice-governador Tadeu de Souza é citado como alternativa.
Ao permanecer no cargo, Wilson Lima mantém interlocução com prefeitos do interior, articulação com partidos aliados e influência na formação de chapas proporcionais. A decisão o recoloca como peça central nas negociações para 2026 e mantém aberto o processo de reorganização das forças políticas no Amazonas.