Segundo a mãe, ela retornava do tratamento do filho no bairro Alvorada quando chegou ao porto por volta das 13h30. Ao pagar sua passagem via Pix, teria sido orientada pelo condutor, identificado como Brendo Gomes Pereira, a colocar a criança no colo.
Ela afirma que se recusou por entender que o filho tem direito garantido por lei e relata ter sido humilhada.
“Quando você tira direitos, impede o embarque ou humilha, está cometendo o que a lei proíbe. Não é mimimi”, afirmou um especialista ouvido pela reportagem.
Ainda de acordo com a mãe, o funcionário teria jogado R$ 13 no chão e feito comentários ofensivos, incluindo a frase: “vocês mães de autista são muito abusadas”. Abalada, ela disse que apenas reivindicava o direito do filho.
Já o condutor negou as acusações e afirmou que a mulher chegou alterada ao local. Ele declarou que apenas seguia normas federais do terminal, que exigem apresentação de carteira federal de passe livre, emitida por órgão regulador, e citou regras da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
O funcionário também afirmou que crianças de até cinco anos não pagam passagem, desde que não ocupem assento, e disse não ter sido informado previamente sobre a condição da criança.
Especialista alerta para crime de capacitismo
O caso reacendeu o debate sobre capacitismo, definido como preconceito contra pessoas com deficiência. Autistas são legalmente reconhecidos como pessoas com deficiência.
Segundo orientação jurídica divulgada no local, impedir acesso, humilhar ou retirar direitos configura crime, com pena de reclusão de um a três anos, além de responsabilidade civil e administrativa.
A recomendação é que pais ou responsáveis procurem uma delegacia e registrem boletim de ocorrência para que o caso seja encaminhado ao Ministério Público.
“Quem passa por isso deve denunciar. A lei garante direitos iguais e inclusão”, reforçou o especialista.
O episódio foi registrado em vídeo e segue repercutindo nas redes sociais. Até o momento, não houve posicionamento oficial do órgão responsável pelo Porto da Ceasa.

foto: Reprodução