Moradores da rua Pina de Morais, no bairro Compensa 2, zona oeste de Manaus, relatam viver sob risco constante de desabamento após a queda parcial de um muro que cedeu durante o período de chuvas intensas do inverno amazônico. A situação, segundo os relatos, já dura cerca de sete meses e tem causado preocupação a quem vive na área.

Parte da estrutura desabou sobre a banca de uma comerciante que trabalha no local, e, de acordo com os moradores, o que ainda impede um colapso maior é a própria estrutura da banca e uma árvore localizada próxima ao muro. O receio é que novas chuvas provoquem o deslizamento total do barranco, atingindo residências e pessoas que circulam pela via.
A moradora Girlani, que vive em frente ao local afetado, afirma que vem buscando providências desde que o problema surgiu. Segundo ela, além do muro comprometido, há uma árvore de grande porte e uma torre de energia instalada no terreno acima, fatores que aumentam o risco em caso de novos deslizamentos.

De acordo com o relato, o terreno superior teria sido alugado para a Manaus Energia, onde foi instalada uma subestação ligada a um linhão de transmissão. Durante um período de chuvas fortes, a área teria alagado, e a água acumulada foi drenada por meio de uma bomba, direcionando o fluxo para a parte inferior do terreno. Ainda segundo os moradores, a pressão da água teria contribuído para o desmoronamento do muro.
Girlani afirma que procurou a empresa responsável, mas foi informada de que a situação não seria de responsabilidade dela. A moradora contesta e diz possuir registros em vídeo do momento em que a água foi drenada para o local, antes do desabamento.

Ela também relembra que, há cerca de cinco meses, outro trecho de muro, recém-construído, caiu e atingiu o carro de um morador. Na ocasião, a concessionária responsável pelo serviço de abastecimento de água reconstruiu o muro e ressarciu o prejuízo material causado ao veículo.
Apesar disso, os moradores afirmam que o trecho que permanece instável ainda não recebeu reparos definitivos. Com a continuidade das chuvas, a comunidade teme que novos deslizamentos ocorram e resultem em danos maiores ou até vítimas.

Os moradores pedem que os órgãos competentes realizem uma vistoria técnica no local e adotem medidas urgentes para evitar novos acidentes.
Foto: Tarcísio Heden