Manaus (AM) — Internado desde o dia 19 de dezembro, o paciente Marcelo Pavão aguarda há quase um mês a realização de uma cirurgia considerada urgente e vital no Hospital Santa Júlia, localizado na Avenida Airão, na zona centro-sul de Manaus. A família denuncia negligência e afirma que o procedimento não foi realizado por falta de insumos, em meio a um impasse entre o hospital e o plano de saúde.
Segundo a esposa do paciente, Evely, Marcelo foi internado após exames apontarem uma dissecção da aorta, condição grave em que o vaso sanguíneo se rompe internamente, podendo causar morte súbita. Apesar da gravidade do quadro e dos laudos médicos indicarem risco iminente de óbito, o paciente permanece internado na UTI sem previsão para a cirurgia.
De acordo com a familiar, Marcelo deu entrada na unidade hospitalar em estado de emergência e, inicialmente, acreditava-se que o procedimento seria realizado imediatamente. No entanto, o paciente segue restrito ao leito, sem poder se movimentar, pois qualquer esforço pode provocar o rompimento do aneurisma.
A esposa afirma ainda que existe uma liminar judicial determinando a realização da cirurgia, mas que até o momento a decisão não foi cumprida. Segundo ela, o hospital atribui a responsabilidade pela compra dos materiais ao plano de saúde, enquanto a operadora, por sua vez, não teria providenciado os insumos necessários.
Entre os materiais exigidos para o procedimento estão prótese híbrida, oxigenador de membranas, conjuntos de tubos, cânulas arteriais e venosas, filtros e sistemas de drenagem, itens indispensáveis para a realização da cirurgia cardiovascular.
Evely também relata dificuldades para obter informações sobre o estado clínico do marido e afirma que o desgaste emocional tem sido constante. “Ele já perdeu peso, está abalado psicologicamente e vive todos os dias com risco de morte. O que estamos passando aqui é desumano”, declarou.
A família faz um apelo às autoridades de saúde, à direção do hospital e ao plano de saúde para que a cirurgia seja realizada com urgência. O caso levanta questionamentos sobre a responsabilidade das instituições em situações de emergência médica e o cumprimento do direito constitucional à saúde.
Até o fechamento desta matéria, nem o Hospital Santa Júlia nem o plano de saúde citado pela família haviam se manifestado oficialmente sobre o caso.