Os evangelhos não registram o dia nem o mês do nascimento de Jesus Cristo. A data celebrada atualmente, 25 de dezembro, foi estabelecida apenas séculos depois, por convenção da Igreja, e não está relacionada a uma informação histórica precisa sobre o nascimento de Jesus de Nazaré.
De acordo com historiadores, as únicas fontes disponíveis para reconstruir a vida de Jesus são os evangelhos, escritos décadas após sua morte por autores que não conviveram com ele. Os textos tinham como principal objetivo anunciar sua morte e ressurreição, considerados centrais para a fé cristã, e não detalhar sua infância.
Apenas os evangelhos de Mateus e Lucas mencionam o nascimento de Jesus, mas apresentam versões distintas e cronologicamente incompatíveis. Mateus situa o nascimento durante o reinado de Herodes, o Grande, que morreu em 4 a.C., o que leva estudiosos a estimarem que Jesus tenha nascido entre 6 e 4 a.C.. Já Lucas associa o nascimento ao censo de Quirino, realizado no ano 6 d.C., criando uma diferença de cerca de dez anos entre os relatos.
Historiadores apontam que o censo citado por Lucas provavelmente foi utilizado como um recurso narrativo para justificar o nascimento de Jesus em Belém, cidade associada à profecia messiânica do Antigo Testamento, e não como um dado histórico preciso.
Outras fontes históricas da época, como os escritos do historiador judeu-romano Flávio Josefo, mencionam Jesus de forma geral, mas não trazem informações sobre seu nascimento.
O erro do calendário cristão
A contagem dos anos da era cristã também não coincide com o nascimento real de Jesus. No século 6, o monge Dionísio, o Exíguo, foi encarregado de calcular a data do nascimento de Cristo para organizar o calendário cristão. Sem acesso a dados históricos mais precisos, ele estabeleceu o ano 1 da era cristã de forma equivocada, desconsiderando que Jesus provavelmente nasceu alguns anos antes.
A origem do 25 de dezembro
A escolha do dia 25 de dezembro ocorreu no século 4, quando o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano. Na mesma data, os romanos celebravam o festival do Sol Invicto, ligado ao solstício de inverno no hemisfério norte, quando os dias começam a ficar mais longos.
A Igreja passou a associar Jesus à simbologia da luz que vence as trevas, cristianizando uma festa já popular. Outros costumes romanos, como a troca de presentes e o uso de enfeites, também foram incorporados às celebrações natalinas.
Somente a partir desse período o nascimento de Jesus passou a ser comemorado oficialmente, ganhando relevância religiosa e cultural ao longo dos séculos.
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