Manaus (AM) – A história de Everson, popularmente conhecido como Leleco Show, é um retrato fiel de como o esporte pode mudar destinos. Natural do bairro Armando Mendes, na zona Leste de Manaus, ele iniciou sua caminhada no futebol ainda na adolescência, disputando campeonatos de bairro e treinando em clubes tradicionais do Amazonas. Hoje, aos 35 anos, vive em São Paulo, onde atua como professor de futebol e se tornou referência para atletas que buscam oportunidades no esporte.
A relação com a bola começou em 2004, quando Leleco passou a frequentar campos e quadras da capital amazonense. Com talento e disciplina, ele rapidamente se destacou em competições comunitárias e passou por equipes conhecidas do futebol local, como FAST Clube, Nacional, Tarumã e Petrobras, clubes que, à época, figuravam entre os principais do estado.

Presença constante em torneios amadores e campeonatos de bairro, Leleco acumulou títulos nas zonas Leste, Norte e Sul de Manaus. O reconhecimento veio cedo e, aos 18 anos, ele foi convocado para integrar a seleção amazonense, formada após a realização da Copa do Mundo de Bola, competição promovida pela Secretaria de Esporte do Estado.
A equipe conquistou o título do torneio, cuja final ocorreu no estádio da Colina, e, posteriormente, representou o Brasil em uma competição internacional no Peru, onde terminou com o vice-campeonato. O momento marcou uma virada na carreira do atleta, que passou a ter maior visibilidade no cenário esportivo.
Após o período de competições, Leleco conciliou o futebol com a carreira militar, atuando por quatro anos. Ele passou pela Base Aérea, trabalhou na Prefeitura de Manaus e, após esse ciclo, decidiu retomar integralmente a vida esportiva. Nesse período, também disputou campeonatos fora da capital, como no município de Borba, onde conquistou títulos e ampliou sua experiência no futebol de campo.

A partir de 2012, sua trajetória tomou um novo rumo. Leleco começou a dar aulas de futebol para amigos e atletas da comunidade, percebendo que poderia contribuir com o esporte também fora das quatro linhas. O trabalho ganhou força na região do Parque 10, onde participou de projetos esportivos, torneios e eventos que ajudaram a consolidar seu nome como educador esportivo.
Em 2019, movido pelo desejo de crescimento profissional, ele se mudou para São Paulo. Na capital paulista, passou a disputar torneios de alto nível no futebol amador, como o Adderaldo Penta, organizado por Edson Capetinha, ex-jogador e referência no meio esportivo. A partir dessas experiências, Leleco ampliou sua rede de contatos e passou a atuar em diferentes estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
Atualmente, ele mantém uma rotina intensa em São Paulo, conciliando aulas de futebol, estudos, treinos e atividades profissionais. Segundo Leleco, os dias começam antes das cinco da manhã e só terminam à noite, em uma cidade onde o ritmo é acelerado e exige dedicação constante.

Apesar das conquistas, a caminhada também foi marcada por perdas. Durante sua trajetória, ele perdeu amigos para a violência e para problemas de saúde. Um dos episódios mais marcantes foi a morte do cunhado Ezequiel Clayson, conhecido como Nelly, ex-jogador e um de seus maiores incentivadores. Para Leleco, as perdas serviram como combustível para seguir em frente e fortalecer sua fé e resiliência.
Além do trabalho esportivo, Leleco mantém forte ligação com Manaus. Mesmo morando em São Paulo, ele participa de ações sociais no bairro Armando Mendes, especialmente em eventos voltados para crianças e jovens, como comemorações do Dia das Crianças, realizadas com apoio de familiares e parceiros.
Hoje, ele se considera um representante do futebol amazonense fora do estado e afirma já ter auxiliado diversos atletas do Amazonas a buscarem oportunidades em São Paulo. Para Leleco, o crescimento do esporte em Manaus é visível e passa, principalmente, pelo fortalecimento dos projetos comunitários e da base.
Ao final, a mensagem deixada para a juventude é de persistência e fé. “O esporte não é só competição. É saúde, educação e oportunidade. Quem se dedica, treina e acredita, pode chegar longe”, afirma.