BOA VISTA | A Polícia Civil de Roraima cumpriu, na manhã desta quarta-feira (12), mandados de prisão e de busca e apreensão durante a Operação Imboscare, ação que marca um novo capítulo nas investigações sobre o assassinato brutal de Andresson Dinardo de Almeida, de 38 anos, e Hederson Ferreira da Silva, de 28.
Ao todo, dez mandados judiciais foram expedidos pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Boa Vista, com parecer favorável da 3ª Promotoria do Júri da Capital. A operação é resultado de um trabalho intenso da Polícia Civil desde o desaparecimento das vítimas, registrado no dia 11 de outubro.
De acordo com o delegado Luís Fernando Zucchi Lebed, responsável pela investigação, a apuração começou assim que o Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas (NIPD) recebeu a denúncia do desaparecimento das vítimas.
Quatro dias depois, em 15 de outubro, após cruzamento de informações entre o NIPD e o Departamento de Inteligência (DEINT), as equipes localizaram partes dos corpos dentro de uma fossa em um imóvel no bairro Cidade Satélite.
No dia 17 de outubro, durante uma nova ação conjunta entre a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), novos restos mortais foram encontrados em uma área de mata, a aproximadamente 100 metros dos fundos do mesmo imóvel.

Os exames periciais confirmaram que se tratavam de Andresson e Hederson, o que fez o caso ser oficialmente transferido para a Delegacia-Geral de Homicídios (DGH).
Segundo o delegado Zucchi, a Polícia Civil manteve uma atuação constante e estratégica desde o primeiro dia da ocorrência.
“Nossas equipes trabalharam sem interrupção, realizando diligências, oitivas e levantamentos de inteligência que permitiram identificar os suspeitos e executar os mandados nesta manhã”, destacou.
As apurações indicam que as vítimas foram atraídas até o local de forma premeditada, onde foram executadas e esquartejadas.
“Com o cumprimento dos mandados, damos um passo decisivo para encerrar o inquérito e buscar a responsabilização penal de todos os envolvidos”, completou o delegado.
A investigação aponta que seis pessoas participaram diretamente do crime, todas de nacionalidade estrangeira. Conforme a Polícia Civil, o grupo fugiu para a Venezuela logo após o homicídio, numa tentativa de escapar da Justiça brasileira.
As oitivas e apreensões realizadas nesta quarta-feira têm como objetivo reforçar o conjunto de provas que será encaminhado ao Ministério Público do Estado, responsável pela futura denúncia.
A Operação Imboscare foi coordenada pela Delegacia-Geral de Homicídios, com apoio do DEINT (Departamento de Inteligência) da Secretaria de Segurança Pública (SESP), do NIPD (Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas) ligado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e do GRT (Grupo de Resposta Tática).
A ação contou com planejamento conjunto e trocas de informações estratégicas entre os setores envolvidos, o que possibilitou o avanço significativo no caso.
O termo “Imboscare”, que dá nome à operação, deriva do latim medieval e significa “emboscada”. A escolha faz referência à forma como o crime foi cometido: as vítimas foram atraídas e mortas de maneira cruel e premeditada.