Moradores do bairro Colônia Terra Nova, na zona norte de Manaus, denunciaram a situação precária do atendimento na Unidade de Saúde da Família (USF) localizada na Travessa Serra de Luz. A equipe de reportagem esteve no local e constatou o cenário de filas extensas, demora no atendimento e insegurança durante as madrugadas.
De acordo com relatos da comunidade, os pacientes precisam chegar ao posto ainda de madrugada para tentar garantir uma das poucas vagas disponíveis. A unidade, segundo os moradores, abre os portões por volta das 7h30, mas o atendimento médico só inicia a partir das 8h, o que faz com que dezenas de pessoas fiquem esperando por horas.
“Tem gente que chega aqui às cinco da manhã. Eu cheguei às seis e já estou no final da fila. Se eu não conseguir hoje, só no mês que vem”, contou a moradora Ellen, que aguardava por atendimento. Segundo ela, as consultas são realizadas apenas uma ou duas vezes por mês, o que torna o acesso praticamente impossível para muitos moradores da região.

Além da dificuldade para conseguir uma consulta, Ellen relatou que a espera nas madrugadas expõe os pacientes a situações de insegurança.
“A gente fica à mercê, já teve arrastão e assalto aqui. É perigoso ficar esperando no escuro, e ainda tem gente que vem com crianças”, afirmou.
A moradora explicou que, até pouco tempo atrás, o agendamento de consultas acontecia todas as segundas-feiras, mas que atualmente o procedimento é feito apenas uma ou duas vezes por mês e com vagas limitadas.
“São muitas famílias e poucas consultas. Na minha casa, por exemplo, só pode uma consulta por família. Uma vez vim com minha filha, mas só deu pra atender uma de nós. A outra teve que voltar outro dia”, contou.
Outro problema apontado pelos usuários é a falta de medicamentos na farmácia da unidade.
“A médica é uma excelente profissional, sempre atende com atenção, mas quase nunca tem remédio. Quando a gente vem buscar medicação, a resposta é que acabou”, relatou Ellen.

Durante a visita, a equipe de reportagem também observou diversas pessoas esperando sob o sol, tentando se proteger debaixo de árvores por conta da longa espera. Muitas relataram cansaço e desânimo, principalmente os idosos que precisam de atendimento contínuo.
Moradores também se queixam de que, em alguns casos, pacientes são recusados por não pertencerem à área de cobertura da unidade.
“Tem funcionário que diz que não pode atender porque não somos dessa área. Aí a gente fica esperando, perde o tempo e vai embora sem conseguir nada”, lamentou outra moradora.
A comunidade pede providências urgentes da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), incluindo o aumento na oferta de consultas, o reabastecimento de medicamentos, e medidas que garantam mais segurança para quem precisa madrugar na fila.
Enquanto aguardam uma resposta das autoridades, os moradores seguem enfrentando dias e madrugadas de espera, incerteza e riscos para conseguir um atendimento básico de saúde.
Fotos: Johnnata Reis / Imediato