A condução do processo de escolha da lista para o quinto constitucional no Amazonas — vaga destinada à advocacia no Tribunal de Justiça — gerou reação de advogados locais após uma sequência de ações atribuídas ao presidente nacional da OAB, Beto Simonetti. Segundo integrantes da classe, há indícios de uso indevido de influência institucional para impedir a participação de um único candidato no certame, o ex-Secretário de Estado Chefe da Casa Civil do Amazonas, o advogado Flávio Antony Filho.
Nos últimos meses, o presidente da OAB Nacional, Simonetti, fez publicações públicas em redes sociais em apoio declarado a um dos concorrentes e liderou articulações no Conselho Federal que alteraram regras do edital nacional aplicadas ao processo em todos os estados. Para advogados do Amazonas, as mudanças teriam sido construídas de forma casuística, com reflexos diretos sobre a candidatura de Flávio Antônio — secretário do governo Wilson Lima — apontado como o nome indesejado na disputa.

Na última semana, a Justiça Federal, em mandado de segurança, assegurou ao candidato o direito de se inscrever no processo. Logo após, o advogado Marco Aurélio Choy — apontado como o candidato apoiado pela cúpula nacional — ingressou em juízo pedindo reconsideração da decisão.
A audiência, registrada em vídeo nos autos, foi realizada na 3ª Vara da Justiça Federal. Na gravação, Choy afirma ter “interesse direto” como candidato habilitado e contesta a presença de Flávio Antônio no certame, argumentando que a entrada de um concorrente poderia gerar impacto na formação da lista e no equilíbrio entre os nomes inscritos.
O episódio reforçou o questionamento da advocacia local sobre a atuação da diretoria nacional e sobre a utilização do poder institucional da OAB em benefício de um único nome na disputa. Para advogados que acompanham o caso, o conflito evidencia interferência política no processo eleitoral interno destinado a definir a lista sêxtupla encaminhada ao Tribunal de Justiça.
O procedimento tramita sob o número 10-51011-15-2025-401-3207, na Justiça Federal do Amazonas, e segue em análise. A audiência que ouviu Marco Aurélio Choy foi formalmente gravada e anexada aos autos por determinação judicial.
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