Boa Vista (RR) — Um relato angustiante e revoltante vem da Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, em Boa Vista. O marido Bruno denuncia um caso de negligência médica após a morte do bebê que sua esposa, Chrislainy Layla Malheiros dos Santos, carregava na barriga. Segundo ele, além da perda da criança, há o risco de a esposa também perder a vida por falta de atendimento adequado.
De acordo com o marido, Chrislainy, procurou atendimento na maternidade no dia 15 de outubro, após sentir contrações e dores abdominais. O médico de plantão, segundo Bruno, realizou exames e afirmou que estava tudo bem, liberando a gestante para retornar para casa.
No entanto, Chrislainy voltou a sentir fortes dores e precisou retornar ao hospital no dia 22 de outubro. Ao ser atendida novamente, foi constatado que o bebê já estava sem vida dentro do útero. “Ontem, às 5h30 da tarde, ela deu entrada e às 9h da noite confirmaram que a criança estava morta. Desde então, ela está sofrendo, com muita dor, e ninguém faz nada”, contou Bruno, com voz embargada.

Segundo o marido, os médicos decidiram induzir o parto natural mesmo após a morte do bebê, administrando comprimidos a cada quatro horas. “Eles estão empurrando comprimido nela, dizendo que é protocolo, mas ela não sente mais contração nenhuma. A gente está pedindo uma cesárea, mas o médico não quer fazer. Ela já perdeu o filho, e se continuar assim, pode perder a vida também”, afirmou indignado.
Bruno relatou que a esposa já tomou quatro doses do medicamento e que o quadro não evoluiu. “Eles disseram que a última pílula seria à meia-noite e depois disso ela ficaria numa lista de espera para a cesárea. Lista de espera pra quem está com um bebê morto na barriga? Isso é um absurdo!”, protestou.
Visivelmente abalado, o marido diz que a esposa está há horas sentindo dores fortes e sem receber o atendimento necessário. “A barriga dela está dura, ela está sofrendo, e ninguém mexe nela. O médico está lá fora, os enfermeiros sentados, e minha mulher gritando de dor. Eu quero justiça. Eu já perdi meu filho, não quero perder minha mulher também”, desabafou.

A cunhada de Chrislainy, que acompanha a paciente, também criticou a situação dentro da unidade. “Desde ontem estamos aqui, e os profissionais ficam lá fora sem fazer nada. É desumano. Ela está sofrendo, e ninguém faz nada. Essa maternidade está um caos”, afirmou.
O marido contou ainda que tentou obter o prontuário médico da esposa e do bebê, mas foi impedido. “Fui pedir o prontuário e disseram que eu não podia pegar. Mas a delegada me informou que, por lei, eu tenho direito como pai. Agora vou acionar a Justiça”, disse Bruno, que já registrou boletim de ocorrência na delegacia.
“Meu filho era o meu primeiro filho. Não posso aceitar isso. Quero justiça, porque amanhã pode acontecer com outra mulher”, completou o marido.
Até o momento, a Maternidade Nossa Senhora de Nazaré e a Secretaria Estadual de Saúde de Roraima (Sesau) não se manifestaram sobre as acusações. O caso deve ser apurado pela Polícia Civil de Roraima e pelo Ministério Público do Estado.
A família pede providências urgentes e que a situação seja investigada com seriedade. “Não é só pela Layla, é por todas as mães que passam por esse sofrimento e são tratadas como se suas vidas não importassem”, concluiu Bruno.