Belém (PA) — As águas da baía do Guajará se tornaram cenário de fé e emoção na manhã deste sábado (11) com a realização do Círio Fluvial, uma das mais belas e tradicionais procissões do Círio de Nazaré. A romaria começou por volta das 8h50, partindo do Terminal Hidroviário Turístico de Icoaraci, levando a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré a bordo do navio Garnier Sampaio, da Marinha do Brasil, em direção à Escadinha da Estação das Docas.
Com um percurso de cerca de 10 milhas náuticas — o equivalente a 18,5 quilômetros — a procissão fluvial reuniu aproximadamente 50 mil fiéis e mais de 400 embarcações. O momento foi antecedido por uma missa celebrada no Trapiche de Icoaraci pelo arcebispo emérito de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, que abençoou os romeiros e embarcações antes da partida.
Este ano, o evento trouxe uma novidade: pela primeira vez, o ponto de saída oficial foi o recém-reformado Terminal Hidroviário Turístico de Icoaraci, substituindo o tradicional trapiche. A mudança, segundo a Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) e a Marinha do Brasil, foi adotada para garantir mais segurança, conforto e melhor estrutura aos participantes.
Somente embarcações previamente cadastradas e identificadas com adesivos e bandeiras da Secretaria de Estado de Turismo (Setur) puderam integrar o cortejo. Todos os tripulantes foram obrigados a usar coletes salva-vidas, e as embarcações passaram por fiscalização rigorosa de segurança.
A Marinha do Brasil mobilizou mais de 400 militares para coordenar o evento, empregando navios, lanchas e motos aquáticas. A Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (CPAOR) supervisionou todo o tráfego aquaviário, com o objetivo de evitar manobras perigosas e garantir uma navegação segura durante o percurso da Imagem Peregrina — que está sendo conduzida pelo Navio Hidroceanográfico Garnier Sampaio pelo 25º ano consecutivo.
Além da devoção, o Círio Fluvial também premiará as embarcações que se destacarem pela ornamentação religiosa, organização da tripulação e cumprimento das normas de segurança.
Entre orações, cânticos e lágrimas de emoção, a fé dos paraenses mais uma vez se fez presente nas águas do Guajará, reforçando a tradição que há décadas move corações e fortalece a devoção à Rainha da Amazônia.