O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) foi um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (9) pela Polícia Federal em sete estados e no Distrito Federal. A ação tem como objetivo reunir documentos e bens relacionados a um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, que teria causado um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
De acordo com as investigações, o esquema envolvia a inclusão não autorizada de mensalidades e contribuições em folhas de pagamento de beneficiários do INSS, beneficiando sindicatos e associações em todo o país.
O Sindnapi é presidido por Milton Baptista de Souza Filho e tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, conhecido como “Frei Chico”, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Frei Chico, entretanto, não é alvo das investigações.
A operação foi deflagrada no mesmo dia em que Milton Filho compareceu à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, em Brasília, para prestar depoimento sobre as denúncias. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, confirmou a ação policial durante entrevista coletiva.
“Hoje a polícia está executando mandados, inclusive no sindicato desse senhor que está aqui para depor”, afirmou o parlamentar.
Em nota, o Sindnapi declarou surpresa com a operação e afirmou que não teve acesso ao inquérito policial. A entidade também negou qualquer prática irregular, destacando que irá comprovar a legalidade de sua atuação.
“O Sindnapi reitera seu absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados”, diz o comunicado.
A Polícia Federal segue com as investigações para identificar os responsáveis pelo esquema e o destino dos valores desviados.