Manaus (AM) – O vereador de Manaus Rosinaldo Bual (Agir) foi preso preventivamente na manhã desta sexta-feira (03/10) durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Amazonas (MPAM). A ação investiga um esquema de rachadinha e suposto desvio de recursos públicos na Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Além do parlamentar, sua chefe de gabinete, Luzia Seixas Barbosa, também foi presa. Luzia é mãe de Gabriel Ferreira Barbosa, que em abril deste ano já havia sido preso por furtar R$ 130 mil em espécie e quatro armas da casa do próprio vereador, de quem era afilhado.
Cofres estourados pelo Corpo de Bombeiros
Durante a operação, agentes localizaram três cofres em diferentes endereços ligados a Bual:
- Um na casa do vereador, no bairro Compensa;
- Outro em um sítio de sua propriedade;
- E um terceiro na residência da mãe dele.
Rosinaldo Bual se recusou a fornecer as senhas, e os cofres precisaram ser abertos com auxílio do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.
No cofre da casa do parlamentar, foram encontrados:
- Dinheiro em espécie;
- Joias de alto valor;
- Dois cheques, um de R$ 240 mil e outro de R$ 330 mil, totalizando R$ 570 mil;
- Um notebook;
- Além de outros objetos de interesse da investigação.
Já nos cofres localizados no sítio e na casa da mãe, os agentes apreenderam diversos documentos, que agora serão periciados.
Bloqueio de mais de R$ 2 milhões
A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 2 milhões das contas bancárias de Bual, medida que visa garantir a reparação de eventuais danos ao erário e impedir movimentações financeiras suspeitas.
De acordo com as investigações, mais de 100 assessores passaram pelo gabinete do vereador desde o início do seu mandato em 2021, o que levantou suspeitas de rachadinha. A quebra de sigilo bancário revelou transferências diretas de salários de servidores para a conta pessoal do parlamentar.
Compra suspeita na véspera da prisão
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a aquisição de um jet ski avaliado em R$ 136 mil, realizada um dia antes da deflagração da operação. O bem de luxo será analisado como possível indício de lavagem de dinheiro.
Operação mira núcleo familiar
A prisão de Luzia Barbosa, chefe de gabinete e mãe de Gabriel Ferreira Barbosa, reforça a suspeita de que o esquema criminoso tenha um núcleo familiar estruturado. Gabriel, preso em abril por roubar o próprio padrinho, teria ligação direta com a movimentação de valores ilícitos.