Nova York, EUA – O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, concedeu visto diplomático ao ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, para participar da Assembleia-Geral da ONU, mas impôs restrições severas à sua movimentação na cidade. A decisão limita a circulação de Padilha e de eventuais familiares a apenas cinco quarteirões ao redor do hotel onde ficará hospedado, além de rotas específicas entre o local de acomodação, a sede da ONU, a missão brasileira junto à organização e a residência do representante do Brasil na entidade.
A medida, comunicada ao Itamaraty nesta quinta-feira (18), reflete sanções impostas ao ministro por sua participação na criação do programa Mais Médicos durante o governo Dilma Rousseff, que envolveu acordo com Cuba para contratação de profissionais de saúde cubanos. O governo Trump revogou vistos de Padilha, de sua esposa e de sua filha, além de servidores ligados ao programa, impedindo inicialmente novas emissões de vistos.
O visto atual foi solicitado em agosto de 2025 para permitir a presença de Padilha em eventos internacionais, incluindo a reunião da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em Washington, no dia 29, e a Assembleia-Geral da ONU em Nova York, a partir do dia 23, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará o discurso de abertura.
Padilha, último membro da comitiva presidencial a receber o documento, minimizou o atraso em declaração recente, afirmando estar “nem aí” ao ser questionado por jornalistas, em referência à música “Tô Nem Aí”, da cantora Luka.
Durante a Assembleia-Geral, o ministro planeja participar de uma reunião de alto nível sobre doenças crônicas, tema central de sua agenda na ONU.
Especialistas em relações internacionais destacam que, apesar de um acordo de 1947 que obriga os EUA a permitir trânsito irrestrito no distrito da ONU para autoridades estrangeiras, o governo americano aplica limitações seletivas a representantes de nações ou indivíduos sob sanções, como ocorre com diplomatas do Irã, Venezuela e Coreia do Norte.
No caso de Padilha, a restrição é considerada mais rigorosa do que as impostas a enviados de países como Síria, Rússia e Cuba, limitando-o a trajetos estritamente entre o hotel e locais oficiais, sem permissão para deslocamentos adicionais na cidade.
A Assembleia-Geral da ONU, que inicia na próxima terça-feira (23), reunirá líderes globais para debater temas como saúde pública, mudanças climáticas e cooperação internacional. Para Padilha, a viagem representa uma oportunidade de defender agendas brasileiras em saúde global, mas sob o peso de restrições impostas pelo anfitrião.