O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, foi assassinado a tiros de fuzil na noite de segunda-feira (15), em uma ação criminosa registrada por câmeras de monitoramento na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, bairro Nova Mirim, em Praia Grande, litoral de São Paulo. Fontes, que atuava como secretário de Administração da prefeitura local, foi perseguido por criminosos e executado após uma perseguição que culminou na colisão de seu veículo com um ônibus. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) suspeita de retaliação do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção contra a qual ele lutou por mais de 40 anos.Imagens de câmeras de segurança mostram o Fiat Argo preto de Fontes sendo seguido por um veículo dos atiradores. Após ser alvejado, o ex-delegado perdeu o controle do carro, que capotou após bater em um ônibus. Três homens armados desceram do segundo veículo e dispararam mais de 20 tiros de fuzil contra a vítima, atingindo grande parte de seu corpo. O Samu foi acionado, mas constatou a morte no local. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Arthur Dian, os disparos foram intensos e precisos, configurando uma execução planejada.
A Polícia Militar localizou rapidamente um dos veículos usados na ação – um Jeep Renegade abandonado em uma área de mata a dois quilômetros do crime – e outro, uma SUV preta, encontrado incendiado. Informações preliminares indicam que até três carros participaram do atentado, incluindo um Renault Logan. O secretário-adjunto da SSP-SP, Oswaldo Nico Gonçalves, revelou que Fontes revidou, baleando um dos criminosos antes de ser morto.
Uma força-tarefa com mais de 100 policiais foi mobilizada pelo secretário Guilherme Derrite para caçar os responsáveis, com uso de inteligência policial.
Dois transeuntes – um homem e uma mulher que caminhavam pela via – foram baleados na troca de tiros e atendidos pelo Samu. Eles foram levados à UPA Quietude e, em seguida, ao Hospital Municipal Irmã Dulce, sem risco de morte. A mulher recebeu alta na noite de segunda; o homem segue em observação.
Histórico de Luta Contra o Crime Organizado
Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, com pós-graduação em Direito Civil, Ruy Ferraz Fontes ingressou na Polícia Civil em 1988. Ele foi pioneiro nas investigações sobre o PCC, atuando como chefe da 5ª Delegacia de Roubo a Bancos do Deic nos anos 2000, onde mapeou a estrutura da facção e indiciou líderes como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Sua equipe prendeu figuras-chave e divulgou os primeiros organogramas da organização.
Fontes comandou divisões como Denarc, Homicídios, DHPP e Decap, além de ser central nos ataques de maio de 2006, promovidos pelo PCC contra forças de segurança. Como delegado-geral (2019-2022), liderou a transferência de chefes da facção para presídios federais, enfraquecendo sua influência carcerária. Ele também foi professor de Criminologia e Direito Processual Penal, e participou de cursos no Brasil, França e Canadá.
Em 2023, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande, cargo que ocupava até o crime. Em dezembro do mesmo ano, sofreu um assalto à mão armada na cidade, tratado como roubo comum, mas que agora é visto como possível escalada de ameaças.
O Ministério Público registrou em 2019 que ele era “jurado de morte” pelo PCC.
Hipóteses e Repercussão
A principal linha de investigação aponta para vingança do PCC, o que seria a terceira “grande retaliação” da facção contra autoridades – após o juiz Antônio Machado Dias (2003) e outros alvos.
Outra hipótese é ligação com uma licitação municipal que teria prejudicado interesses criminosos.
Promotores do Gaeco classificam o crime como “máfia”, destacando sua ousadia.
A SSP-SP e a Prefeitura de Praia Grande lamentaram a perda de um “corajoso combatente do crime organizado”. O atual delegado-geral, Arthur Dian, viajou ao litoral para coordenar as buscas.
Nas redes sociais, o caso gerou comoção, com posts viralizando vídeos da execução e debates sobre a falência estatal no combate ao crime.