PF prende “Careca do INSS” em Operação contra fraudes bilionárias em aposentadorias; Buscas atingem Nelson Wilians

Operação da Polícia Federal investiga esquema bilionário de fraudes em aposentadorias do INSS, com empresário identificado como 'Careca do INSS' como principal suspeito.
Redação Imediato Online
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Brasília (DF) – A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (12) a Operação Cambota, um desdobramento da apuração sobre fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Dois mandados de prisão preventiva foram cumpridos: contra Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como lobista central do esquema, e contra o empresário Maurício Camisotti, suspeito de atuar como operador financeiro.

Além disso, 13 mandados de busca e apreensão foram executados nos estados de São Paulo e no Distrito Federal, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação revela um amplo esquema de fraudes que causou prejuízos estimados em até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Associações e entidades que oferecem serviços a aposentados cadastravam beneficiários sem autorização, utilizando assinaturas falsificadas para justificar descontos mensais nos benefícios pagos pelo INSS. Os valores eram desviados para empresas ligadas aos investigados, com Antunes atuando como “facilitador” e “epicentro da corrupção ativa”.

Segundo a PF, o lobista recebeu R$ 53,58 milhões de entidades associativas e intermediárias, repassando R$ 9,3 milhões a servidores do INSS suspeitos de corrupção.

Ele controlava pelo menos 22 empresas usadas para lavar o dinheiro, mantendo saldos baixos nas contas para dificultar o rastreamento.

As buscas resultaram em apreensões de luxo, incluindo uma Ferrari vermelha, uma réplica da McLaren pilotada por Ayrton Senna em 1991 (ano de seu tricampeonato mundial de Fórmula 1), pilhas de dinheiro em espécie e diversos relógios de alto valor, encontrados nas residências dos alvos.

A operação ocorre um dia após a CPI do INSS aprovar a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Antunes, que está convocado para depor na próxima segunda-feira (15).

Entre os alvos das buscas está o advogado e empresário Nelson Wilians, dono de um dos maiores escritórios de advocacia do país, ligado ao PL e próximo a figuras bolsonaristas como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Agentes da PF vasculharam sua residência no bairro Jardim Europa, em São Paulo, e o escritório da banca.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações atípicas de R$ 4,3 bilhões no escritório de Wilians entre 2019 e 2024, incluindo pagamentos milionários a Camisotti, apontado como beneficiário final do esquema.

No entanto, a PF não estabeleceu ligação direta dessas transações com as fraudes no INSS até o momento.

Em nota, o escritório de Nelson Wilians afirmou que o advogado colabora integralmente com as autoridades e confia na comprovação de sua inocência total. “Nelson Wilians já afirmou, anteriormente, que sua relação com um dos investigados — seu cliente na área jurídica — é estritamente profissional e legal, o que será comprovado de forma cabal. Os valores por ele transferidos referem-se à aquisição de um terreno vizinho à sua residência, transação lícita e de fácil comprovação. Ressaltamos que a medida cumprida é de natureza exclusivamente investigativa, não implicando qualquer juízo de culpa ou responsabilidade. O advogado permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência.”

A defesa de Antunes, por sua vez, criticou a prisão preventiva como uma “afronta a garantias constitucionais”, alegando que equivale a constranger o investigado a produzir prova contra si mesmo, e prometeu medidas legais para reverter a detenção.

A operação apura crimes como embaraço à investigação de organização criminosa, dilapidação e ocultação de patrimônio, e possível obstrução por parte de investigados.

O caso, revelado inicialmente em abril de 2025, expõe vulnerabilidades no sistema previdenciário e pressiona o governo federal por reformas. O ministro da Previdência, Carlos Lupi, foi alertado sobre os descontos irregulares em 2023, mas demorou quase um ano para agir, segundo reportagem do Jornal Nacional.

A PF continua as investigações para identificar outros envolvidos e recuperar os valores desviados.

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