EUA reagem com críticas e ameaças à condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão

Condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão gera forte reação de autoridades americanas, que acusam o Brasil de 'caça às bruxas' política.
Redação Imediato Online
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Brasília/Washington – A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, por tentativa de golpe de Estado, provocou reações imediatas e veementes de autoridades americanas. O veredicto, anunciado nesta quinta-feira (11), foi descrito por figuras do governo dos EUA como uma “caça às bruxas” política, ecoando acusações semelhantes feitas pelo ex-presidente Donald Trump em seus próprios processos judiciais. Enquanto o Departamento de Estado dos EUA prometeu “responder adequadamente”, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro rebateu, afirmando que ameaças externas não intimidarão a democracia do país.

O julgamento de Bolsonaro, que envolveu acusações de conspiração para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022, culminou em uma sentença máxima possível de até 43 anos, mas o painel de juízes do STF optou por 27 anos e três meses. A decisão foi vista por apoiadores do ex-presidente como uma perseguição política, especialmente considerando sanções prévias impostas pelos EUA a magistrados brasileiros envolvidos no caso.

Bolsonaro, aliado próximo de Trump, já estava inelegível para as eleições de 2026 e sob restrições como monitoramento eletrônico e proibições de uso de redes sociais.

Reações do Governo Americano

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi o primeiro a se manifestar publicamente, condenando a decisão em uma postagem no X (antigo Twitter). “As perseguições políticas pelo violador de direitos humanos sancionado Alexandre de Moraes continuam, já que ele e outros no Supremo Tribunal do Brasil decidiram injustamente prender o ex-presidente Jair Bolsonaro”, escreveu Rubio. “Os Estados Unidos responderão adequadamente a essa caça às bruxas.”

Rubio, que já havia imposto sanções a juízes brasileiros, não especificou as medidas, mas fontes indicam que novas tarifas econômicas ou sanções contra autoridades do STF estão em consideração.

O presidente Donald Trump, reeleito em 2024 e amigo pessoal de Bolsonaro, qualificou a condenação como “muito surpreendente” e a comparou aos seus próprios processos judiciais nos EUA. “É muito parecido com o que tentaram fazer comigo. Mas eles não conseguiram de jeito nenhum”, disse Trump em entrevista.

A Casa Branca, por meio de sua porta-voz Karoline Leavitt, indicou que o governo considera a ação brasileira como um “ato hostil” e não descarta respostas fortes, incluindo o uso de “poder militar” para proteger a liberdade de expressão global, embora analistas vejam isso como retórica exagerada.

Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente e deputado federal, afirmou que sanções americanas contra autoridades brasileiras são “prováveis” após a condenação de seu pai. Em entrevista à Reuters, ele destacou o apoio de Trump e Rubio, sugerindo que o veredicto intensificará as tensões bilaterais.

Resposta Brasileira e Tensões Bilaterais

O Itamaraty reagiu rapidamente às declarações americanas. Em nota no X, o ministério afirmou que “ameaças como a feita hoje pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em uma declaração que ataca uma autoridade brasileira e ignora os fatos e as evidências convincentes no registro, não intimidarão nossa democracia”.

Analistas preveem que uma escalada poderia afetar o comércio bilateral, especialmente após tarifas já impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros como café, em retaliação a ações judiciais contra Bolsonaro.

Do lado oposto, progressistas brasileiros celebraram a decisão como um marco contra impunidade. O professor de relações internacionais Oliver Stuenkel, em postagem no X, observou que “milhões de progressistas brasileiros têm o champanhe metafórico no gelo” diante da condenação esperada.

Já apoiadores de Bolsonaro, como a congressista María Elvira Salazar, dos EUA, chamaram a prisão de “injustiça” e alertaram para o risco de o Brasil se tornar uma “ditadura”.

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