A Polícia Federal prendeu em flagrante, na tarde desta quinta-feira (11), o estudante de Ciências Biológicas Adalto Gaigher Júnior, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), suspeito de ameaçar de morte o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A prisão ocorreu na casa da família de Gaigher, no município de Boa Esperança, no sul do Espírito Santo, após uma série de publicações na rede social X (antigo Twitter) que incitavam violência contra o parlamentar mineiro.
As ameaças vêm desde 2023 e se intensificaram na quarta-feira (10), quando Gaigher postou: “Nikolas eu vou te matar a tiros”, em resposta a uma publicação de Ferreira sobre o assassinato do ativista conservador americano Charlie Kirk, baleado durante um debate em uma universidade nos EUA.

Antes disso, em julho de 2025, o estudante escreveu: “Vou fazer o mesmo no seu velório”, referindo-se a uma postagem de Nikolas sobre a primeira-dama Janja Lula da Silva. A ameaça mais antiga registrada remonta a 2023, quando Gaigher conclamou: “Que tristeza que esse Nikolas existe, cara. Alguém mata esse cara na moral”, durante a visita do presidente Lula à Câmara dos Deputados.
A ação policial foi acionada pelo senador Magno Malta (PL-ES), que, ao tomar conhecimento da última ameaça, comunicou imediatamente a Polícia Federal para garantir a segurança de Ferreira durante sua agenda em Linhares, no norte do Espírito Santo. O deputado mineiro, que visitou o estado na quinta-feira acompanhado de escolta armada reforçada pela PF, reagiu à prisão com um “joinha” irônico em seus stories no Instagram, sem comentários adicionais.

Após a repercussão das postagens, que viralizaram e geraram repúdio nas redes sociais, Gaigher publicou um pedido de desculpas: “Gostaria de me desculpar pelo comentário totalmente inadequado e infeliz que postei ontem. Nikolas Ferreira, minhas sinceras desculpas. Foi um comentário desmedido, em um momento de euforia, sendo certo que a nossa divergência política, ou qualquer divergência, seja no campo”. No entanto, o deputado rejeitou as desculpas, afirmando: “Você só está falando isso porque a postagem viralizou. Não aceito desculpa alguma e não recuarei um milímetro em mover todas as ações cabíveis contra a sua atitude”. Ferreira ainda destacou o histórico de ameaças: “Já não é a primeira vez. O que mostra que não houve nenhum arrependimento, somente o medo das consequências. Enfrente-as agora”.
O advogado de defesa de Gaigher, em nota, defendeu a presunção de inocência e argumentou que o comentário foi “mera retórica em um momento de surto, fato atípico à conduta dele, em um ambiente contaminado pela polarização política”. Ele enfatizou que o cliente está arrependido, não representa risco e tem conduta ilibada, prometendo se manifestar nos autos do processo.
O suspeito foi encaminhado à Delegacia da PF em São Mateus para lavratura do auto de prisão em flagrante e permanece à disposição da Justiça.