A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (4) a Operação Raubritter, que apura possíveis irregularidades em contratos firmados pela Secretaria de Educação de Roraima (Seed) para o fornecimento de materiais de higiene, limpeza e conservação destinados a escolas indígenas.
Entre os investigados está o secretário estadual de Educação, Mikael Wallas Cunha Cury-Rad, além de servidores públicos e empresários. A ação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, inclusive na sede da própria secretaria.
Empresa de carros contratada para limpeza escolar
As investigações apontam que Cury-Rad teria atuado para favorecer a empresa Pátio dos Carros, especializada na venda de veículos, mas contratada para realizar serviços de limpeza em unidades escolares.
Um detalhe chamou a atenção da PF: um dia antes da licitação, a empresa alterou seu CNPJ para incluir atividades de comércio de produtos de higiene e conservação, o que levantou suspeita de fraude.
Licitação direcionada
Segundo a Polícia Federal, o processo licitatório teria eliminado concorrentes que apresentaram propostas iguais ou até mais vantajosas, sem qualquer justificativa técnica. O cenário indicaria um possível direcionamento na escolha da empresa vencedora.
Contratos descumpridos e prejuízo milionário
Além da suspeita de manipulação no pregão, a investigação revelou que os produtos contratados não foram entregues integralmente, descumprindo cláusulas do contrato. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 4 milhões.
Para garantir a reparação dos danos, a Justiça determinou o bloqueio de valores e o sequestro de bens dos investigados.
Secretaria e governo se defendem
Em nota, a Secretaria de Educação afirmou que está colaborando com a investigação e fornecendo todos os documentos solicitados. O governo estadual e o próprio secretário adotaram a mesma postura, reforçando confiança no esclarecimento dos fatos.
Silêncio da empresa
A reportagem entrou em contato com a Pátio dos Carros, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Histórico de investigações
Essa não é a primeira vez que a Seed aparece no foco de operações da Polícia Federal. Em agosto, a secretaria foi alvo da Operação Escama, que investigava um contrato milionário de fornecimento de merenda escolar. Na ocasião, a empresa contratada foi acusada de entregar peixe de qualidade inferior, sem etiquetas de validade e sem possibilidade de rastreio.