O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, intensificou neste fim de semana a mobilização das Forças Armadas, em meio à aproximação de uma frota militar dos Estados Unidos no Caribe. O movimento americano, oficialmente apresentado como parte de uma operação contra o narcotráfico, envolve um submarino nuclear, navios de guerra e cerca de 4,5 mil militares, o que ampliou a tensão na região.
Na noite de sexta-feira (29), o navio de mísseis guiados USS Lake Erie cruzou o Canal do Panamá em direção ao Atlântico, reforçando a presença naval dos EUA nas proximidades da Venezuela. Além dele, compõem a frota três contratorpedeiros, três navios anfíbios, um cruzador e tropas de fuzileiros navais.
Maduro reage e chama operação de “cerco hostil”
Em pronunciamentos transmitidos pela TV estatal, Maduro classificou a movimentação americana como um “cerco hostil que viola a Carta da ONU”. Ele tem percorrido bases militares e realizado atos públicos com soldados, em uma estratégia para reforçar apoio interno em meio à grave crise política e econômica que assola o país.
— Não há como entrarem na Venezuela. Depois de 20 dias de ameaças e guerra psicológica, estamos mais fortes do que ontem. Nem sanções, nem bloqueios, nem assédio poderão com a Venezuela — disse Maduro em ato realizado na quinta-feira (28).
Milícias e mobilização popular
O governo chavista também organizou, nos últimos dias, jornadas nacionais de alistamento militar, estimulando a adesão de voluntários à Milícia Nacional Bolivariana — um braço armado formado por civis com forte carga ideológica. Segundo Maduro, seriam 4,5 milhões de milicianos prontos para defender o país, número contestado por especialistas independentes.
Com tom patriótico, veículos estatais vêm reforçando slogans como “a pátria não se vende”, em meio a convocações para que civis se juntem à defesa do território.
Relação com Washington
O governo dos Estados Unidos não reconhece a legitimidade de Maduro, a quem acusa de envolvimento direto com o narcotráfico. Washington mantém ainda uma recompensa de US$ 50 milhões pela captura do presidente venezuelano.
Enquanto a frota americana deve estar completamente posicionada na região já na próxima semana, o chavismo aposta na narrativa de resistência para consolidar sua base política interna, transformando o episódio em mais um capítulo da longa disputa entre Caracas e Washington.
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