Investigação revela ligações entre Instituto Democracia em Xeque, Palver, Itaú e USAID em parceria com TSE para censurar oposição ao Lula nas eleições

Investigação revela conexões entre instituições e empresas no monitoramento de redes sociais e censura de opiniões políticas no período eleitoral.
Redação Imediato Online
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Brasília (DF) – Uma investigação conduzida pelos jornalistas David Ágape e Eli Vieira, responsáveis pela série “Vaza Toga 2”, expôs conexões entre o Instituto Democracia em Xeque (DX), a empresa de tecnologia Palver, o banco Itaú e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Essas parcerias, reveladas em reportagens publicadas pela Revista Oeste, envolvem o monitoramento de redes sociais em colaboração com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), levantando questões sobre censura e influência externa no processo eleitoral brasileiro.

De acordo com as apurações, o DX e a Palver atuavam no rastreamento de conteúdos em redes sociais com base em palavras-chave definidas por servidores do TSE. O material monitorado incluía opiniões políticas, como defesas ao voto impresso e auditável, que foram usadas em decisões judiciais relacionadas aos eventos de 8 de janeiro de 2023. Em uma mensagem de 24 de setembro de 2022, um funcionário da Palver alertou o grupo da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) sobre o pico histórico de menções a “voto impresso e auditável”, além de aumentos em referências ao TSE e às urnas eletrônicas.

No conselho consultivo do DX, destaca-se Maria Alice “Neca” Setubal, herdeira do banco Itaú, com fortuna estimada em R$ 1,8 bilhão. Setubal apoiou Marina Silva na eleição de 2014 e integrou a equipe de transição do governo Lula em 2023. O instituto participou de audiências convocadas pela Advocacia-Geral da União (AGU), sob Jorge Messias, e adota o conceito de “pesquisa em desinformação”, termo recorrente em decisões de censura do Supremo Tribunal Federal (STF).

O DX classifica como “extrema-direita” não apenas Jair Bolsonaro e sua base, mas também críticos à regulação das redes sociais e veículos de imprensa como a Revista Oeste e a Gazeta do Povo, rotulados como “mídia de reframe”. Segundo Mike Benz, ex-funcionário de inteligência dos EUA, o DX serviu como intermediário de recursos entre a inteligência americana, a USAID e projetos do TSE coordenados por Alexandre de Moraes. O instituto recebe financiamentos da fundação alemã Heinrich Böll Stiftung (ligada ao Partido Verde), das fundações Luiz Egydio e Tide Setubal, além de ONGs apoiadas pela Ford Foundation e Open Society.

O jornalista alemão Collin McMahon relatou que a Heinrich Böll Stiftung, financiada com 97 milhões de euros pelo governo alemão em 2023, apoia ONGs anti-Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Em 2022, o TSE firmou o Termo de Cooperação nº 73 com a Palver para monitorar redes sociais e grupos públicos de WhatsApp. A Corte indicava palavras-chave como “urna eletrônica”, “voto impresso”, “Barroso”, “Fachin” e “Moraes”, com a empresa se comprometendo a manter os relatórios confidenciais.

Felipe Bailez, CEO da Palver, e Luis Fakhouri, responsável por estratégia, escrevem na Folha de S.Paulo e afirmam ter acesso a mais de 100 mil grupos de WhatsApp. A empresa tem sede em Delaware (EUA) e prestou serviços a prefeituras paulistas.Fakhouri foi premiado em 2024 pelo Centro Internacional de Jornalistas (ICFJ), financiado pela USAID, NED, Departamento de Estado dos EUA, fundações Gates e Soros, e empresas como Meta, Google e Bloomberg. O prêmio reconheceu um projeto com a agência de checagem Lupa, parceira da Palver, que mapeava “publicações falsas” relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

O ICFJ já intermediou repasses entre o governo americano e o Sleeping Giants, cujo fundador Humberto Ribeiro integra o “Conselhão” de Lula. Um ano antes das eleições de 2022, o TSE e a USAID organizaram eventos conjuntos para combater “desinformação”, conforme registrado no site oficial do TSE.

Essas revelações, parte da série “Vaza Toga”, geraram debates sobre a influência estrangeira no judiciário brasileiro e possíveis violações à soberania nacional. Juristas como Ives Gandra Martins e André Marsiglia criticaram o uso de “certidões positivas” baseadas em postagens em redes sociais para justificar prisões, alegando “eugenia ideológica”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do TSE e fonte da “Vaza Toga 2”, por violação de sigilo e obstrução de justiça.

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