Manaus (AM) – Moradores da Rua Sara Kubitschek, no bairro Colônia Santo Antônio, Zona Norte de Manaus, realizaram um protesto inusitado na manhã desta sexta-feira (22), deitando-se no asfalto para chamar atenção para um buraco mal consertado pela Prefeitura de Manaus. A ação simbólica, que incluiu a montagem de uma “cama” no local, reflete a frustração da comunidade com uma obra emergencial iniciada em 13 de agosto, mas que, segundo eles, deixou a rua em pior estado, com valas abertas e riscos para pedestres e veículos.
O Protesto e a Reclamação
A manifestação, liderada por idosos como Dona Rosa e outros vizinhos, destacou a demora e a qualidade precária do serviço da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf). “Estamos deitados esperando a prefeitura, porque já esperamos em pé e cansamos. Vieram aqui, cavaram, mandaram bêbados trabalhar e não fizeram nada direito”, desabafou Dona Rosa durante transmissão ao vivo do site Imediato. Os moradores criticaram a falta de conclusão da obra, que consta no site da prefeitura como realizada, mas na realidade apresenta buracos maiores e asfalto inexistente. “No site deles, a rua está um tapete vermelho, mas aqui é só buraco”, reclamou uma residente.Vídeos gravados pela comunidade mostram a rua antes e depois da intervenção: inicialmente, um buraco causava acidentes, como a queda de uma criança e de um carro; após a chegada da equipe da Seminf na tarde de 13 de agosto, valas foram abertas e não foram devidamente fechadas, agravando o problema. “Eles chegam às 9h, saem às 11h, voltam às 15h e vão embora às 16h. Ficam 10 bebendo, 5 trabalhando e 10 filmando”, ironizou um morador.
Histórico da Obra
A Prefeitura de Manaus iniciou a obra emergencial para recuperar a rede de drenagem na Rua Sara Kubitschek em 13 de agosto, motivada por denúncias de moradores sobre erosões e alagamentos. A ação visava substituir tubulações danificadas e caixas coletoras, mas, conforme relatos, não foi finalizada. No dia seguinte, 14 de agosto, a Seminf anunciou avanços na obra, mas os moradores afirmam que o serviço parou, deixando a rua intransitável. “Caiu uma criança, caiu um carro com meu neto. Se custasse a vida dele, não estariam contando história”, alertou uma idosa.
Críticas à Prefeitura
Os moradores acusam a Seminf de negligência e maquiagem de obras. “Eles vieram após a denúncia na imprensa, mas fizeram pior. No site, está tudo asfaltado, mas aqui parece que caiu meteoro”, disse um vizinho. O prefeito David Almeida foi criticado diretamente: “Ele não mora mais no Morro da Liberdade, mora na Ponta Negra, enquanto a periferia sofre”. A comunidade exige asfaltamento definitivo e fiscaliza o cronograma da prefeitura, que lista a rua como “concluída”.A Seminf não respondeu aos contatos até o fechamento desta matéria, mas em nota anterior, afirmou que a obra emergencial visa prevenir alagamentos
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