Falhas na Fiscalização: Ponte que desabou na BR-319 era classificada como “boa” pelo Dnit

Ponte classificada como 'boa' pelo Dnit desaba no Amazonas, expondo falhas na fiscalização de rodovias federais.
Redação Imediato Online
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Manaus (AM) – A ponte sobre o Rio Autaz-Mirim, localizada no km 25 da BR-319, no Amazonas, desabou em novembro de 2022, apenas um ano após ser classificada como “boa” pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Segundo relatório obtido pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI), a estrutura recebeu a nota quatro em vistoria realizada em 22 de junho de 2021, indicando “alguns danos, mas sem insuficiência estrutural”, conforme a Portaria nº 10/2024 do Dnit. A classificação, que não apontava necessidade imediata de reformas, levanta questionamentos sobre a eficácia das inspeções de infraestrutura no Brasil.

O colapso da ponte, que felizmente não resultou em vítimas devido à sua interdição prévia após a queda da vizinha ponte sobre o Rio Curuçá (km 23), expôs graves problemas na manutenção de rodovias federais. A ponte do Curuçá, classificada como “regular” (nota três), desabou em 28 de setembro de 2022, deixando cinco mortos e pelo menos 14 feridos. O incidente interrompeu o tráfego na BR-319, principal ligação terrestre entre o Amazonas, Roraima e o restante do país, forçando a travessia por balsas improvisadas e impactando o transporte de insumos para municípios como Autazes, Careiro Castanho e Novo Airão.

O Dnit, responsável pela fiscalização bienal de “obras de arte de engenharia” (pontes, túneis e viadutos), enfrenta críticas pela falta de pessoal. Com um déficit de 45% no quadro de analistas técnicos – apenas 533 dos 982 necessários –, as vistorias não ocorrem com a frequência recomendada, comprometendo a segurança de estruturas como as da BR-319. No Brasil, 1.950 pontes são classificadas como “boas” e 1.536 como “regulares”, mas os desabamentos no Amazonas sugerem falhas na metodologia de avaliação.

A reconstrução das pontes sobre os rios Curuçá e Autaz-Mirim, iniciada após a rescisão de contrato com a J. Nasser Construtora por descumprimento de prazos, está a cargo da Construtora Etam Ltda., com investimentos de R$ 56,2 milhões. A nova ponte do Curuçá deve ser entregue em setembro de 2025, enquanto a do Autaz-Mirim tem previsão para novembro. Até lá, balsas operadas pela Amazônia Navegações Ltda. garantem a travessia, mas a rodovia segue parcialmente comprometida.

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