Teresina-PI – A cidade de Teresina, no Piauí, está em luto após a morte trágica de Alice Brasil Souza da Paz, de apenas 4 anos, na última terça-feira (5), dentro das dependências da Unidade Kennedy do Colégio CEV, na zona Leste da capital. A criança foi atingida por uma penteadeira que tombou em uma sala de brinquedos, horas após comemorar seu aniversário de 4 anos ao lado de seu irmão gêmeo, Artur Brasil. A família, devastada, cobra respostas claras da escola, que teria fornecido informações desencontradas, enquanto a Polícia Civil do Piauí investiga o caso, levantando questionamentos sobre a segurança em ambientes escolares.
O Acidente Fatal
O incidente ocorreu por volta das 14h na brinquedoteca da Unidade Kennedy, onde Alice, aluna do sistema integral do CEV, brincava após o almoço. Segundo o delegado Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), uma penteadeira de madeira, descrita como pesada e branca, tombou sobre a menina após outra criança subir no móvel ou passar por baixo dele enquanto Alice estava deitada no chão. A criança sofreu um traumatismo cranioencefálico, com sangramento intenso pelo nariz, conforme relatado por seu irmão gêmeo, que presenciou a cena.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado, e Alice foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Satélite, mas não resistiu aos ferimentos. O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), onde exames confirmaram a causa da morte. O velório ocorreu na terça-feira (5) a partir das 21h na Funerária Pax União, no Centro de Teresina, e o sepultamento, sob forte comoção, foi realizado na quarta-feira (6) às 14h no Cemitério Jardim da Ressurreição, na zona Sudeste, com escolta da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Angústia da Família
Os pais de Alice, o major do Exército Cláudio Sousa, do 25º Batalhão de Caçadores, e a fotógrafa Dayana Brasil, expressaram profunda indignação em uma coletiva de imprensa na quinta-feira (7) na Pax União. Eles afirmam que não foram notificados diretamente pelo Colégio CEV, descobrindo o acidente por uma professora do turno da manhã que viu Alice sendo levada na ambulância. “Eu entreguei uma criança viva, saudável, feliz, e me devolveram um cadáver”, desabafou Dayana, cobrando explicações sobre o que aconteceu, o atendimento prestado à filha e o suporte dado a Artur, que presenciou a tragédia.Cláudio, cujo aniversário coincidiu com o dia do sepultamento, relatou a dor de enterrar a filha em um momento que deveria ser de celebração: “Em vez de bolo e velas, recebi o silêncio, o desespero e um caixão.” Artur, irmão gêmeo de Alice, relatou aos pais que viu “muito sangue sair pelo nariz” da irmã, uma imagem que, segundo a família, o marcará profundamente. Dayana destacou o desafio de ajudar o filho a lidar com a perda: “Vou ter que tirar a cama dela, a cadeirinha do carro, as roupas. Como explico isso para uma criança de 4 anos que dividia tudo com a irmã desde o ventre?”A família também questiona a falta de acesso às imagens das câmeras de segurança da brinquedoteca, que poderiam esclarecer a dinâmica do acidente. “Ninguém da escola nos procurou com respostas claras. Queremos saber como tudo começou e o que foi feito por nossa filha e nosso filho”, afirmou Dayana.
Resposta do Colégio CEV
O Colégio CEV, uma das instituições mais tradicionais de Teresina, suspendeu as aulas em todas as suas unidades até a próxima segunda-feira (11) em respeito à memória de Alice e ao luto da comunidade escolar. Em nota, a escola lamentou o ocorrido, afirmando estar “à disposição das autoridades competentes e colaborando integralmente com as investigações”. A instituição também cancelou as comemorações do Dia dos Pais previstas para a semana e anunciou suporte psicológico para alunos, familiares e funcionários.No entanto, a família critica a falta de comunicação direta da escola, que, segundo eles, forneceu duas versões diferentes do acidente e não disponibilizou imagens das câmeras de segurança. A direção do CEV reforçou seu “compromisso com a verdade e a transparência”, mas a ausência de esclarecimentos imediatos intensificou a indignação dos pais e da comunidade.
Investigação e Segurança Escolar
A DPCA, sob o comando do delegado Hugo Alcântara, assumiu a investigação para esclarecer as circunstâncias do acidente. A polícia já teve acesso a vídeos do momento do ocorrido e intimou testemunhas, incluindo funcionários da escola, para depoimentos. O inquérito busca determinar se houve negligência na supervisão das crianças ou falhas na segurança do mobiliário. “Acabamos de sair do local, fizemos as diligências, e os procedimentos estão sendo adotados com celeridade”, afirmou Alcântara.