O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (30) uma nova tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil, em uma decisão que deve gerar repercussões no comércio bilateral. A medida, que passa a valer a partir de 6 de agosto, exclui 694 itens da taxação, abrangendo produtos considerados estratégicos para os EUA.
Na lista de exceções estão aeronaves civis e peças, suco de laranja, combustíveis, fertilizantes, madeira, minério de ferro, celulose, castanhas e móveis de metal e plástico. Com isso, empresas como a Embraer saem fortalecidas, já que os Estados Unidos representam uma fatia significativa das vendas da fabricante brasileira de jatos. Após o anúncio, as ações da companhia subiram 10% no mercado financeiro.
Por outro lado, produtos como café, frutas e carnes não foram poupados e passarão a pagar a nova tarifa. Esses segmentos devem sentir o maior impacto, especialmente o agronegócio, que tem nos EUA um dos principais mercados de destino.
A decisão norte-americana se baseia em um decreto que classifica o Brasil como uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional”, argumento semelhante ao usado para aplicar sanções a países como Irã, Venezuela e Cuba.
Além dos produtos estratégicos, a medida também isenta:
- Itens pessoais trazidos por passageiros;
- Produtos retornando aos EUA após manutenção ou reparo;
- Doações humanitárias, como alimentos e medicamentos;
- Veículos de passageiros e bens eletrônicos específicos.
Confira a lista completa dos produtos isentos no decreto oficial assinado por Trump (clique aqui).
O governo dos Estados Unidos alertou que poderá revisar as exceções caso o Brasil adote medidas consideradas contrárias aos interesses norte-americanos. Trump ainda ameaçou impor novas tarifas se houver qualquer tipo de retaliação por parte do Brasil.
Mesmo com as isenções, a nova política tarifária traz incertezas para exportadores brasileiros, especialmente nos setores alimentício e de commodities agrícolas, que podem sofrer prejuízos nas negociações com o maior parceiro econômico do Ocidente.