Na noite de sexta-feira, 18 de julho de 2025, um médico de 44 anos, natural de São Paulo, foi preso em flagrante após protagonizar um grave incidente no Hotel Vidam, localizado na Orla de Atalaia, em Aracaju (SE). O caso, divulgado no domingo (20) pelo estabelecimento, envolve agressão física, injúria racial e danos materiais, com o suspeito quebrando móveis e objetos do hotel.
Detalhes do Incidente
Segundo o Hotel Vidam, o médico chegou ao local por volta das 23h, visivelmente embriagado. Alterado, ele iniciou uma série de agressões contra os funcionários da recepção. Um colaborador foi fisicamente agredido com socos e empurrões, caindo ao chão, enquanto outro sofreu injúria racial, sendo chamado de “gordo” e “preto”. Além disso, o suspeito danificou um monitor de computador, cadeiras e outros móveis do hotel. Vídeos gravados por testemunhas e funcionários capturaram o momento das agressões e a condução do médico pela Polícia Militar de Sergipe (PMSE).
Prisão e Procedimentos Judiciais
A PMSE foi acionada rapidamente e prendeu o médico em flagrante. Ele foi encaminhado à Central de Flagrantes e, no sábado (19), passou por uma audiência de custódia. A juíza plantonista, Carolina Valadares, converteu a prisão em preventiva, destacando a gravidade da conduta, o risco de reiteração criminosa e a necessidade de proteger a ordem pública. A decisão judicial também enfatizou que o comportamento do suspeito, agravado por sua formação em Medicina, demonstra “desprezo pela dignidade humana e igualdade racial”. O médico foi transferido para o Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no bairro Santa Maria, em Aracaju, onde permanece à disposição da Justiça.
A defesa do médico solicitou um habeas corpus na segunda-feira (21), mas o pedido segue em análise.
Investigação em Curso
A Secretaria de Estado da Segurança Pública de Sergipe (SSP/SE) instaurou um inquérito policial para apurar as circunstâncias do caso. As imagens gravadas no hotel serão usadas como provas fundamentais, junto com depoimentos de testemunhas e funcionários. A SSP destacou que, em 2025, já foram registrados 207 casos de racismo no estado, incluindo injúria racial, discriminação em meios de comunicação e outras práticas.
Posicionamento do Hotel e do Cremesp
O Grupo Vidam emitiu uma nota repudiando veementemente as agressões e manifestando solidariedade aos funcionários, que receberam apoio psicológico e jurídico após o incidente. A gerência reforçou seu compromisso com a excelência no atendimento e o respeito aos direitos humanos, destacando que “repudia qualquer ato de violência e desrespeito”.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informou que não se manifestará publicamente sobre o caso, limitando-se a apurar eventuais infrações éticas e disciplinares no exercício da profissão médica