Ganhador da Mega-Sena de R$ 201 milhões morre em Cuiabá 24 dias após ganhar o prêmio

Vencedor de R$ 201 milhões na Mega-Sena morre em Cuiabá 24 dias após receber o prêmio, levantando questões sobre a herança e o indiciamento do dentista.
Redação Imediato Online
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A cidade de Cuiabá, Mato Grosso, foi abalada em 4 de dezembro de 2024 pela morte de Antônio Lopes de Siqueira, um pecuarista aposentado de 73 anos, que faleceu devido a uma parada cardiorrespiratória durante um procedimento odontológico.

Menos de um mês antes, em 9 de novembro de 2024, Antônio havia ganhado sozinho o prêmio de R$ 201.963.763,26 no concurso 2.795 da Mega-Sena, um dos dez maiores da história da loteria. A tragédia, que interrompeu os planos do novo milionário, levantou questões sobre a herança e resultou no indiciamento do dentista responsável por homicídio culposo, devido a falhas técnicas no procedimento.

Detalhes do Caso

Antônio, natural de Jaciara (MT), acertou as seis dezenas (13, 16, 33, 43, 46, 55) com uma aposta simples de R$ 5 na Lotérica Ipiranga, em Cuiabá, usando o método “surpresinha” (números escolhidos pela máquina). Ele resgatou o prêmio em 11 de novembro de 2024, mas não teve tempo de usufruí-lo. Segundo familiares, o tratamento odontológico, iniciado uma semana antes, era um dos primeiros gastos planejados.

No dia do incidente, Antônio passou mal durante uma consulta odontológica. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) encontrou-o em parada cardiorrespiratória há mais de 30 minutos, caído no consultório. Apesar de transferido ao Hospital Universitário Júlio Müller, ele não resistiu. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) confirmou a parada cardiorrespiratória como causa imediata, mas exames complementares são necessários para determinar a causa definitiva, já que Antônio sofria de hipertensão e diabetes.

Investigação e Indiciamento

A Polícia Civil de Mato Grosso, sob o comando do delegado Edison Pick, concluiu o inquérito em 4 de junho de 2025, indiciando o dentista por homicídio culposo (Art. 121, §3º do Código Penal, pena de 1 a 3 anos, agravada por inobservância técnica, §4º). A investigação apontou falhas graves:

  • Anamnese insuficiente: O histórico médico de Antônio, incluindo hipertensão e diabetes, foi avaliado superficialmente, com base em um formulário padrão.
  • Falta de monitoramento: Não houve uso contínuo de oxímetro ou monitor cardíaco durante o procedimento.
  • Ausência de equipamentos de emergência: A clínica não possuía desfibrilador ou suporte avançado de vida.
  • Uso inadequado de anestésico: A aplicação de articaína com epinefrina em alta dosagem, sem consulta prévia a um cardiologista, foi considerada arriscada.

O delegado destacou que essas falhas violaram o “dever de cuidado objetivo” e contribuíram diretamente para o óbito. Não há indícios de motivação ligada ao prêmio, e a morte violenta foi descartada.

Herança Milionária

A fortuna de R$ 201.963.763,26 será dividida entre os herdeiros diretos de Antônio: sua esposa e três filhos. Um quarto filho, mais velho, já falecido, pode ser representado por seus quatro netos no processo de inventário, conforme o Código Civil Brasileiro. Sob o regime de comunhão parcial de bens, a esposa tem direito à meação (metade dos bens adquiridos durante o casamento) antes da partilha, e o restante será dividido igualmente entre os filhos. O espólio inclui o prêmio e outros bens, como propriedades e contas bancárias.

Especialistas alertam que heranças milionárias podem gerar disputas judiciais. Como Antônio não deixou testamento, a partilha seguirá a legislação, com possíveis custos elevados de impostos e taxas de inventário. A família, que optou por um velório reservado em Jaciara, busca resolver a questão de forma amigável, em meio ao luto

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