A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) anunciou que acompanhará de perto as investigações sobre a morte violenta do adolescente Fernando Vilaça da Silva, de 17 anos, ocorrida na Zona Leste de Manaus. O caso, que está sendo apurado como um possível crime de ódio, motivou uma atuação direta do Núcleo de Direitos Humanos do órgão.
O Defensor Público Geral, Rafael Barbosa, expressou solidariedade à família da vítima e classificou o episódio como uma agressão brutal contra a vida e a dignidade.
“Esse caso representa uma grave agressão à integridade física e à vida. É uma violência muito grande, que configura também um crime de ódio. É importante, primeiro, a gente se solidarizar com a família do Fernando, porque sentimos essa dor junto com toda a comunidade. É uma morte muito brutal, violenta”, afirmou Barbosa.
A DPE-AM reforçou que a equipe do Núcleo de Direitos Humanos está mobilizada para fiscalizar a apuração e cobrar a devida responsabilização dos envolvidos. “Homofobia é crime, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, que equiparou atos de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero ao crime de racismo”, destacou o defensor geral.
A agressão e o histórico de bullying
O ataque contra Fernando aconteceu na rua Três Poderes, no bairro Gilberto Mestrinho. Segundo relatos, o jovem, que havia saído de casa para comprar leite, era alvo constante de bullying por parte de outros adolescentes da região. No dia do crime, ele teria confrontado os agressores para questionar o motivo das ofensas, momento em que foi espancado.
Um vídeo gravado por testemunhas mostra duas pessoas fugindo da cena enquanto Fernando já estava caído e desacordado. Ele foi socorrido e levado ao Hospital e Pronto-Socorro Dr. Aristóteles Platão de Araújo e, devido à gravidade, transferido para o Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, onde passou por cirurgia. No entanto, o adolescente não resistiu aos ferimentos e morreu nesta segunda-feira.
Canais de Apoio e Denúncia
A Defensoria Pública do Amazonas informou que oferece atendimento especializado para vítimas de violência motivada por preconceito, incluindo homofobia. O serviço é prestado pelo Núcleo de Direitos Humanos, localizado na Casa da Cidadania (Rua Celetra, 2 – Adrianópolis), sem necessidade de agendamento prévio.
Para o atendimento, é recomendado levar documentos pessoais (RG, CPF, comprovante de residência) e qualquer prova que possa ajudar na denúncia, como mensagens, fotos, vídeos ou nomes de testemunhas. O órgão também disponibiliza canais virtuais para denúncias e orientações.
“Seguimos com nossas campanhas e políticas públicas voltadas para a conscientização da população sobre o respeito à diversidade e a importância da convivência com as diferenças”, finalizou Rafael Barbosa.