O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou, na terça-feira (1º de julho de 2025), uma denúncia ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) contra a aposentada Elizabete Arrabaça, de 67 anos, e seu filho, o médico Luiz Antonio Garnica, de 38 anos, pelo feminicídio de Larissa Rodrigues, de 37 anos, nora de Elizabete e esposa de Luiz, ocorrido em 21 de março de 2025.
As investigações apontam que Larissa foi envenenada com chumbinho durante cerca de dez dias, culminando em uma dose letal administrada por Elizabete, motivada por interesses financeiros relacionados ao divórcio iminente da vítima. Além disso, a exumação do corpo de Nathalia Garnica, irmã de Luiz e filha de Elizabete, morta em fevereiro, revelou traços da mesma substância, levantando suspeitas de que ela também foi assassinada.
Detalhes do Caso de Larissa Rodrigues
Larissa Rodrigues, de 37 anos, foi encontrada morta na manhã de 22 de março de 2025, em seu apartamento em São Paulo, após sofrer mal-estar na noite anterior. Segundo o promotor Marcus Tulio Alves Nicolino, do MPSP, Elizabete começou a visitar Larissa com frequência a partir de fevereiro, levando alimentos que continham pequenas doses de chumbinho, um veneno à base de carbamato comumente usado como raticida. Esses episódios coincidiam com relatos de mal-estar da vítima, registrados em mensagens e conversas com familiares
A motivação, conforme a investigação, era financeira. Larissa, que descobriu estar sendo traída por Luiz, informou ao marido em 21 de março, via mensagem, que iniciaria o processo de divórcio na segunda-feira seguinte. O divórcio ameaçava dividir o patrimônio do casal, incluindo o apartamento onde viviam, agravando a situação financeira de Luiz, que já enfrentava dificuldades e destinava recursos para uma amante.
O promotor destacou: “Ele não estava em uma situação confortável financeiramente, a mãe também não. O divórcio agravaria isso, com a divisão do patrimônio e os custos da amante.”Na noite de 21 de março, Elizabete administrou uma dose letal de chumbinho, segundo o MPSP. Luiz, que é médico, teria impedido Larissa de buscar ajuda externa, alegando que a trataria em casa.
Ele relatou à polícia que encontrou a esposa caída no banheiro, tentou reanimá-la com manobras de ressuscitação e só então chamou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que confirmou o óbito. Exames do Instituto Médico Legal (IML) detectaram resíduos de chumbinho no organismo de Larissa, levando à prisão preventiva de Elizabete e Luiz em abril.Suspeita sobre a Morte de Nathalia Garnica
A investigação sobre a morte de Larissa levou a Polícia Civil a reexaminar o falecimento de Nathalia Garnica, de 42 anos, irmã de Luiz e filha de Elizabete, ocorrido em 13 de fevereiro de 2025, inicialmente atribuído a causas naturais. A exumação do corpo, realizada em maio, revelou traços de chumbinho, sugerindo que Nathalia também foi envenenada. O promotor Nicolino afirmou: “Elizabete fez isso com a filha, achou que deu resultado porque ninguém suspeitou, e resolveu usar o mesmo método com a nora.”A motivação também seria financeira. Elizabete enfrentava uma dívida de aproximadamente R$ 320 mil, e, como Nathalia não era casada nem tinha filhos, parte de seus bens, incluindo um imóvel avaliado em R$ 1,2 milhão, foi herdada pela mãe.
A denúncia do MPSP inclui Elizabete como suspeita no assassinato de Nathalia, enquanto Luiz é investigado por possível omissão ou participação indireta.
Acusações e Processo Judicial
Elizabete Arrabaça e Luiz Antonio Garnica foram indiciados por feminicídio contra Larissa, com três qualificadoras: motivo torpe (interesse financeiro), uso de meio cruel ou insidioso (envenenamento) e impossibilidade de defesa da vítima. A pena para feminicídio qualificado pode variar de 12 a 30 anos de prisão, conforme o artigo 121, § 2º, inciso VI do Código Penal.
No caso de Nathalia, Elizabete enfrenta acusações de homicídio qualificado, com investigações em andamento para determinar o envolvimento de Luiz.A denúncia foi protocolada no TJSP em 1º de julho, e ambos os acusados negam os crimes. A defesa de Elizabete alega que as visitas à nora eram motivadas por preocupação familiar, enquanto Luiz afirma que tentou salvar a esposa.
O advogado da dupla, ainda não identificado publicamente, deve apresentar a defesa preliminar nos próximos dias. O juiz responsável pelo caso determinará a data do julgamento, que pode ocorrer ainda em 2025, dado o caráter hediondo dos crimes.