Operação Abbraccio: Amazonas integra megaoperação contra rede de crimes virtuais de violência contra mulheres

Operação Abbraccio mira rede criminosa responsável por crimes de violência contra mulheres na internet, com vítimas de 11 a 19 anos.
Redação Imediato Online
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta segunda-feira (30/06) a Operação Abbraccio, uma ação nacional coordenada pelo Departamento-Geral de Polícia de Atendimento à Mulher (DGPAM) que mira uma rede criminosa responsável por crimes de extrema violência contra mulheres pela internet. O Amazonas é um dos nove estados alvos, junto com Rio de Janeiro, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Santa Catarina e São Paulo. Até as 10h20, quatro pessoas foram presas, e 32 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em 21 cidades, incluindo Duque de Caxias e Nova Iguaçu (RJ). A operação expõe uma rede que utilizava plataformas como o Discord para promover estupros virtuais, tortura psicológica e física, misoginia, racismo e incitação à automutilação, com vítimas entre 11 e 19 anos.

Detalhes da Operação Abbraccio

A investigação teve início em abril de 2025, quando a mãe de uma adolescente procurou a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, denunciando a divulgação de imagens íntimas de sua filha. A apuração revelou uma organização criminosa que operava em fóruns fechados no Discord, atraindo e manipulando vítimas jovens, majoritariamente mulheres, para cometer atos de violência virtual. Os criminosos, todos homens maiores de idade, forçavam as vítimas a se automutilar (como escrever nomes dos agressores na pele com navalhas) e transmitiam os atos ao vivo ou compartilhavam gravações em plataformas digitais. Até o momento, seis vítimas foram identificadas, mas os investigadores acreditam que o grupo possa ter feito dezenas de outras vítimas em todo o Brasil.

A operação ganhou força após a prisão de um integrante em maio de 2025. A análise de 80 mil arquivos – incluindo fotos, vídeos e áudios – apreendidos em dispositivos eletrônicos revelou a frieza dos agressores e permitiu identificar lideranças da rede. Os mandados de busca e apreensão focam na apreensão de celulares, computadores e mídias digitais para comprovar os crimes e mapear a extensão da organização. Segundo a Polícia Civil do RJ, os crimes incluem estupro virtual, tortura, ameaça, extorsão, misoginia e racismo, com gravações que transformavam o sofrimento das vítimas em “entretenimento doentio”.

No Amazonas, os mandados estão sendo cumpridos em cidades como Manaus, mas detalhes específicos sobre alvos e prisões no estado ainda não foram divulgados. A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) atua em apoio à operação, coordenada pelo DGPAM. A ação reflete a crescente preocupação com a violência digital, que no Amazonas registrou um aumento de 128% nos casos contra mulheres em 2024, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), com vítimas mais encorajadas a denunciar.

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