Manaus/AM – A jornalista e mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, Paula Litaiff, está sendo alvo de perseguição após a divulgação de sua dissertação de mestrado, defendida na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O trabalho acadêmico trata da resistência de mulheres indígenas no Parque das Tribos, na capital amazonense.
Com quase duas décadas de atuação jornalística e reconhecida por seu trabalho investigativo, Paula desenvolveu a pesquisa “A luta pela conquista do poder feminino no Parque das Tribos: o corpo da mulher indígena como território de resistência”, orientada pela professora doutora Iraildes Caldas Torres. A dissertação foi defendida e aprovada com mérito no dia 3 de junho, destacando-se pela originalidade temática e pertencimento político.
Segundo relatos, a divulgação do estudo gerou reações negativas e episódios de perseguição, com indícios de motivações políticas. A situação levanta preocupações sobre liberdade de expressão e autonomia acadêmica, em especial quando se trata de pesquisas que envolvem direitos das mulheres, povos originários e contextos de vulnerabilidade social.
A dissertação resultou também em um vídeo documentário sobre as lideranças femininas no Parque das Tribos, que já está disponível no canal oficial do PPGSCA/Ufam no YouTube. O material expõe como essas mulheres indígenas constroem estratégias de enfrentamento à violência de gênero, simbólica e política.
Além de seu trabalho acadêmico, Paula Litaiff tem atuação consolidada no jornalismo investigativo — inclusive no segmento policial. Ela contribuiu para a produção do documentário “Bandidos na TV” (Killer Ratings), da Netflix, no qual também atuou como narradora.
Entidades representativas da comunicação, defensores de direitos humanos e a comunidade acadêmica têm sido conclamados a se manterem atentos à situação. O caso reforça a necessidade de garantir a proteção de jornalistas e pesquisadores, assegurando seu direito à liberdade de imprensa e de investigação.
