MANAUS (AM) – Um clima de profunda dor e comoção marcou o culto de sétimo dia em memória de Moisés e do pequeno Gabriel, de apenas 2 anos, pai e filho assassinados brutalmente na tarde do último domingo (22), na comunidade Valparaíso, bairro Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus.
A cerimônia foi realizada na noite desta sexta-feira (28), em frente a uma igreja na Rua Contrabaixo, comunidade Alfredo Nascimento. Familiares, vizinhos e amigos se reuniram para prestar solidariedade à viúva e mãe da criança, Neuziane, que sobreviveu ao ataque e emocionou a todos com seu relato de dor e pedido por justiça.
O crime
De acordo com imagens registradas por câmeras de segurança, a família seguia de motocicleta quando foi surpreendida por um homem armado que se aproximou e efetuou os disparos. Moisés e Gabriel foram atingidos e morreram ainda no local. Neuziane também foi baleada no braço, mas sobreviveu.
Segundo o relato da viúva, momentos antes da tragédia, ela chegou a alertar o marido sobre uma moto suspeita, mas ambos acreditaram que era apenas o movimento causado por uma blitz policial. “Ele viu meu filho. Ele nos viu voltando, sabia que era uma criança ali. Mesmo assim atirou”, desabafou Neuziane, em lágrimas.
“Só me restou a lembrança”
Durante o culto, Neuziane compartilhou a última palavra dita por seu filho: “Mamãe”. A declaração emocionou quem acompanhava a celebração. Ela também relatou o sentimento de desamparo, as noites de insônia e a tentativa de encontrar respostas para uma dor inexplicável.
Em um momento de forte emoção, ela comparou sua tragédia à história bíblica de Jó. “Jó perdeu tudo, perdeu seus dez filhos, seus rebanhos… mas Deus o restituiu. Eu clamo por justiça, porque esse homem está por aí, destruindo famílias. Quantas crianças mais vão precisar morrer?”, declarou.
Investigação em andamento
A Polícia Civil já teria a identificação do suspeito e segue em diligências para capturá-lo. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e tem gerado indignação em toda a cidade.
Neuziane afirma que não descansará até ver o criminoso preso. “Quero abrir um site e ver a notícia de que ele foi capturado. Não quero vingança, quero justiça. Porque o que me restou foi só uma foto e uma lembrança.”