EUNÁPOLIS (BA) – O corpo da jovem Ana Luiza Lima Brito, de 22 anos, foi encontrado esquartejado na manhã de quarta-feira (25) em uma estrada de terra no bairro Delta Park, na cidade de Eunápolis, sul da Bahia. Partes do corpo estavam dentro de uma bolsa, e um bilhete foi deixado dentro da boca da vítima, indicando a possibilidade de envolvimento de facções criminosas.
A cena chocante foi registrada por moradores que passavam pelo local e acionaram a polícia. Segundo as investigações preliminares, o assassinato pode estar ligado a um possível acerto de contas entre grupos criminosos que disputam território na região.
Ligação com outra execução

A Polícia Civil apura se o crime tem relação com a execução de Matheus Rodrigues de Souza, de 24 anos, morto dois dias antes. A suspeita é de que Ana Luiza tenha sido acusada por membros do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) — facção associada ao Comando Vermelho — de ter entregado informações sobre Matheus aos rivais do Bonde do Maluco (BDM), grupo responsável pela morte dele.
Segundo fontes policiais, o conteúdo do bilhete encontrado no corpo ainda não foi divulgado oficialmente, mas reforçaria essa hipótese.
Desespero da família
Em entrevista à imprensa local, a mãe da vítima, Liliane Lima, relatou os momentos de angústia vividos antes da confirmação da morte da filha. Ana Luiza teria sido chamada para abrir um imóvel em que Matheus havia deixado pertences, mas desapareceu logo em seguida. “Ligávamos para o celular dela e alguém atendia e desligava. À noite, recebi uma ligação anônima dizendo que ela tinha sido levada. Fiquei desesperada”, contou.
No dia seguinte, após registrar boletim de ocorrência, Liliane recebeu uma foto da polícia e reconheceu a filha. “Não tem dor maior no mundo do que olhar uma foto dessas e ver que é sua filha. Ela não merecia isso”, lamentou.
Investigação em andamento

A polícia trabalha com a hipótese de crime motivado por conflito entre facções criminosas. Até o momento, ninguém foi preso, e os investigadores mantêm sob sigilo detalhes da apuração. O caso de Matheus já tem autoria identificada, mas também sem divulgação pública.
O assassinato de Ana Luiza é mais um capítulo sangrento da guerra entre grupos criminosos que aterrorizam bairros inteiros no interior baiano. A brutalidade do crime e o recado deixado no corpo da jovem indicam uma escalada na violência simbólica usada pelas facções para intimidar e consolidar poder.