Cinco anos após viralizar dançando em um bar de Manaus ao som de “Holiday”, da cantora Madonna, Maria Solange Amorim, de 55 anos, comemora uma nova conquista: a conclusão do ensino médio pelo programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), em Guarulhos, na Grande São Paulo. A formatura aconteceu na última quarta-feira (25), marcando mais um capítulo de superação em sua trajetória.

Conhecida nas redes como a “Marina Silva de Manaus”, Maria Solange enfrentou uma dura batalha contra o vício em drogas, da qual está livre há quase cinco anos. Agora, com a sobriedade consolidada e milhares de admiradores, ela traça novos planos: quer prestar o Enem e cursar psicologia. “Esse momento era um sonho de adolescência. Hoje posso dizer, com 55 anos, que qualquer um é capaz de realizar o que deseja, basta correr atrás”, declarou emocionada.
A dança que a projetou na internet aconteceu em um momento de profunda dor: Maria havia perdido o filho, Pedro Paulo, também usuário de drogas, executado em Manaus. Três meses após a tragédia, ela foi até um bar conhecido e pediu que tocassem uma música. Quando ouviu os primeiros acordes de “Holiday”, entregou-se à dança como uma forma de extravasar o luto. “Aquela dança era a minha dor em movimento. Era culpa, amor e despedida ao mesmo tempo”, relembra.

O vídeo rodou o país e chegou até Madonna, que compartilhou a cena com uma legenda tocante: “Em dias como esses, temos que aumentar a música e dançar”. A repercussão comoveu internautas e mobilizou ações solidárias. O projeto Parceiros Brilhantes, de Manaus, entrou em contato e ofereceu suporte para Maria recomeçar a vida.
Ela foi acolhida em uma clínica de reabilitação no interior de São Paulo, onde passou oito meses em tratamento. Também recebeu atendimento odontológico e conseguiu reestabelecer laços familiares. No ano passado, teve a oportunidade de assistir a um show de Madonna no Rio de Janeiro — um convite especial que a emocionou profundamente. No palco, dançou novamente, dessa vez em homenagem ao filho, transformando a dor em arte e resistência.
“Hoje sigo sóbria há 4 anos, 11 meses e 22 dias. Com fé em Jeová Deus e os ensinamentos de Jesus, quero ir além. Daqui a cinco anos, quero conquistar meu segundo diploma: o de psicóloga. Quero ajudar outras pessoas a encontrarem o caminho de volta, como eu encontrei”, afirmou com convicção.
A história de Maria Solange é mais do que um viral: é uma narrativa real de dor, fé, resistência e renascimento. De mulher invisibilizada pela dependência química à inspiração nacional, ela prova que a esperança, quando bem cultivada, pode florescer mesmo nos solos mais áridos.
Foto: Arquivo pessoal