Viúvo de biomédica morta em acidente causado por buraco afirma que Prefeitura de Manaus ignorou tragédia
Família acusa Prefeitura de Manaus de negligência após morte de biomédica e sua filha em acidente causado por buraco na via.
Redação Imediato Online
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Por: Rosane Gama
Família afirma que Giovana Ribeiro e sua filha Maria Carolina foram vítimas da negligência do poder público; buraco foi tapado menos de 24 horas após a tragédia.
Manaus (AM) – O viúvo da biomédica Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, que estava grávida de nove meses e morreu após um acidente de moto causado por um buraco na avenida Djalma Batista, acusou a Prefeitura de Manaus de negligência, abandono e falsidade nas informações divulgadas após a tragédia.
Giovana e sua filha, que se chamaria Maria Carolina, morreram no último domingo (22), depois que a motocicleta conduzida por seu marido caiu em um buraco não sinalizado na via. Giovana foi arremessada do veículo e não resistiu aos ferimentos. A bebê também morreu.
Em entrevista, o esposo, João Ribeiro, declarou que a família não recebeu qualquer tipo de assistência do poder público, ao contrário do que foi divulgado em nota oficial pela Prefeitura. Segundo ele, todas as despesas com o velório, enterro e demais trâmites foram custeadas exclusivamente pela família.
“O prefeito mentiu. Disse que ajudou, mas não ajudou em nada. Tudo foi pago por nós. Tenho as notas fiscais. Além da dor, agora temos que lidar com mentiras que aumentam nosso sofrimento”, desabafou João.
De acordo com moradores e motoristas que transitam frequentemente pela Djalma Batista, o buraco onde o acidente aconteceu já existia há pelo menos um mês e era alvo constante de reclamações. Mesmo assim, nenhuma providência foi tomada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf). Curiosamente, menos de 24 horas após o acidente, uma equipe foi enviada para fazer o recapeamento do local.
“Foi preciso minha esposa e minha filha morrerem para tampar aquele buraco. Isso é desumano. Quantas outras pessoas vão precisar morrer para que façam algo?”, questionou o viúvo.
Dor e revolta
João também criticou a falta de empatia do prefeito David Almeida e sua ausência em um momento de tanta dor para a família. Ele lamentou que nem sequer um pedido de desculpas tenha sido feito publicamente e cobrou mais responsabilidade e humanidade da gestão municipal.
“Minha filha era a primeira neta, primeira sobrinha. Estava tudo pronto, o enxoval, o berço, os sonhos… e agora temos que velar tudo isso. Minha esposa era uma mulher honrada, formada, trabalhadora. Não era um número. Ela existia. A filha que esperávamos também. Isso precisa ter um fim. Os buracos não podem continuar sendo armadilhas mortais”, afirmou.
A família pretende buscar justiça e responsabilizar o município civilmente pela morte de Giovana e Maria Carolina. Nas redes sociais, a população também reagiu com revolta à resposta da Prefeitura, que foi vista como tardia e insensível. A tragédia reabriu o debate sobre a precariedade da malha viária da capital amazonense e a urgência de ações preventivas de infraestrutura.
“Cada buraco ignorado é uma sentença. Hoje foi a minha família, mas amanhã pode ser outra. A cidade não pode continuar assim”, finalizou João.