Manaus (AM) – A tragédia que tirou a vida da biomédica Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, grávida de sete meses, na noite do último domingo (22), escancarou a negligência da Prefeitura de Manaus com a infraestrutura viária da capital. Giovana morreu após a motocicleta em que estava com o marido colidir com um buraco aberto na avenida Djalma Batista, zona centro-sul da cidade. O acidente também vitimou a filha que ela esperava, Maria Carolina.
A atitude da Prefeitura após o ocorrido causou ainda mais revolta: menos de 24 horas após o acidente fatal, equipes da Seminf (Secretaria Municipal de Infraestrutura) estiveram no local por volta das 10h desta segunda-feira (23) para realizar uma operação emergencial de recapeamento no trecho onde aconteceu a tragédia. A rapidez da ação pós-morte foi vista por muitos como uma tentativa de amenizar o impacto público da tragédia, em vez de uma real preocupação com a segurança da população.
Buraco virou armadilha mortal
Segundo testemunhas, o buraco onde o casal se acidentou era conhecido por motoristas e já havia sido alvo de diversas reclamações. Sem qualquer tipo de sinalização ou isolamento, o trecho se tornou uma armadilha. Por volta das 18h30 de domingo, a moto conduzida pelo marido de Giovana passou pelo buraco, fazendo com que ele perdesse o controle do veículo. Giovana foi arremessada contra uma árvore no canteiro central. Equipes do Samu tentaram reanimá-la e realizar um parto de emergência, mas mãe e filha não resistiram.
População acusa Prefeitura de omissão
Para moradores e motoristas que passam diariamente pela Djalma Batista, o episódio é resultado direto da omissão da gestão municipal. “Quantas pessoas ainda precisam morrer para que a Prefeitura tome vergonha e faça o básico?”, questionou uma moradora que presenciou o acidente.
Vídeos feitos por populares mostram a equipe da Seminf trabalhando no local apenas no dia seguinte à tragédia, cobrindo o buraco às pressas. Para muitos, a ação tardia não soluciona o problema estrutural, e sim escancara a falta de planejamento e de respeito com a vida humana.
Comoção e homenagens
Giovana era conhecida por seu trabalho na área de estética e saúde. Amigos, familiares e colegas usaram as redes sociais para homenagear a jovem mãe, descrita como “uma profissional dedicada e uma mulher cheia de luz”.
O velório de Giovana e da pequena Maria Carolina ocorre nesta segunda-feira (23), na Igreja Assembleia de Deus do bairro Monte das Oliveiras, zona Leste. A despedida foi marcada por dor, revolta e clamor por justiça.