Em um jogo que desafiou todas as expectativas, o Botafogo venceu o Paris Saint-Germain (PSG) por 1 a 0 na segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes 2025, no Rose Bowl Stadium, em Los Angeles, na noite de quinta-feira (19/06). Com uma atuação impecável, marcada por organização tática, garra e a genialidade de Igor Jesus e Savarino, o Glorioso superou o favoritismo do campeão europeu, reacendendo o sonho brasileiro no torneio.
Um Início Sob Pressão
O cronômetro marcava apenas 1min31s quando o goleiro John, do Botafogo, fez uma defesa crucial em um chute do astro georgiano Kvaratskhelia, do PSG. Quatro minutos depois, o atacante voltou a assustar, com a bola passando rente ao gol alvinegro. Durante os primeiros 15 minutos, a pressão parisiense parecia confirmar os prognósticos pessimistas: o PSG, embalado por goleadas na competição (4 a 0 contra o Atlético de Madrid e 5 a 0 contra a Inter de Milão), dominava o jogo.
Mas, como diz o ditado, no futebol, nem sempre vence o favorito. O Botafogo, comandado por Renato Paiva, mostrou que coração, resiliência e pontaria podem mudar o destino de uma partida.
Igor Jesus e Savarino: O Combo da Vitória
Aos 35 minutos do primeiro tempo, o meia venezuelano Savarino, descrito por um jornalista de seu país como “o jogador amigo” por sua entrega incansável, brilhou. Após se movimentar por todos os setores do campo – esquerda, direita e até o círculo central –, ele fez um passe preciso em profundidade. Igor Jesus, com frieza, se desvencilhou do zagueiro Pacho e chutou no canto direito de Donnarumma, abrindo o placar para o Botafogo. O gol, que silenciou os torcedores do PSG no Rose Bowl, foi o ponto de virada do jogo.
Igor Jesus, autor de oito gols na temporada, e Savarino, com sua capacidade de marcar, brigar pela bola e criar jogadas, formaram o “combo” que desmontou a defesa parisiense. “Savarino é um jogador que não desiste nunca. Espero dele marcação sem bola e jogo coletivo, e ele entregou tudo isso”, elogiou Paiva na véspera do confronto.
Defesa Sólida e Espírito de Equipe
A vitória alvinegra não se deveu apenas ao brilho individual. O Botafogo foi um time na essência da palavra. Cada jogador à frente de John marcou com intensidade, muitas vezes com três atletas disputando a mesma bola. A organização defensiva neutralizou as estrelas do PSG, como Hakimi, Vitinha e Gonçalo Ramos. Um momento emblemático ocorreu aos 13 minutos do segundo tempo, quando Gregore cometeu uma suposta falta sobre Vitinha. Alexander Barboza, em um gesto de fé e protesto, ajoelhou-se e juntou as mãos, “rezando” para que Hakimi, exímio cobrador de faltas, não convertesse. A bola passou por cima do gol.
Renato Paiva, diferente da postura reservada da estreia contra o Seattle Sounders (2 a 1), esteve vibrante à beira do campo desde o início. Já Luis Enrique, técnico do PSG, só percebeu a ameaça real do Botafogo no segundo tempo, quando passou a gesticular mais. Mas, como disse o narrador, “era tarde demais”. A Estrela Solitária brilhou mais forte que a Cidade Luz.
O Palco do Triunfo
O Rose Bowl, palco da final da Copa do Mundo de 1994, onde o Brasil conquistou o tetracampeonato, pareceu trazer sorte ao Botafogo. A torcida alvinegra, incluindo brasileiros residentes nos EUA, como o torcedor Thiago Espínola, vibrou com a vitória histórica. “Ver o Botafogo vencer o PSG aqui é surreal. Essa camisa pesa!”, celebrou Thiago.