Laysa Peixoto esclarece polêmica sobre ser astronauta após contestações da NASA e universidades

Jovem brasileira enfrenta polêmica sobre suposta carreira como astronauta após contestações da NASA e universidades.
Redação Imediato Online
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Laysa Peixoto, jovem mineira de 22 anos, pronunciou-se após uma onda de contestações sobre sua alegada formação como astronauta e vínculo com a NASA. Em resposta ao Portal Leo Dias, ela negou ter afirmado ser funcionária da agência espacial norte-americana e reiterou que foi selecionada pela empresa privada Titans Space para atuar como astronauta de carreira em um voo previsto para 2029. A polêmica, que ganhou destaque após um post no Instagram onde se apresenta como a “primeira mulher astronauta do Brasil”, revelou inconsistências em sua trajetória acadêmica e profissional, levantando debates sobre a veracidade de suas declarações.

O Anúncio e a Polêmica

Em 5 de junho de 2025, Laysa publicou no Instagram (@astrolaysa), com 156 mil seguidores, que havia sido selecionada como “astronauta da turma de 2025” para o voo inaugural da Titans Space, comandado pelo veterano astronauta da NASA, Bill McArthur. “Fui selecionada para me tornar astronauta de carreira, atuando em voos espaciais tripulados para estações espaciais privadas e para futuras missões à Lua e Marte”, escreveu, gerando mais de 83 mil curtidas. A postagem sugeria envolvimento com a NASA, mencionando um suposto treinamento de astronauta concluído em 2022.

A NASA, porém, negou qualquer vínculo com Laysa, afirmando que ela “não é funcionária, pesquisadora principal ou candidata a astronauta” e que “não há apenas dez candidatos em treinamento, e ela não está entre eles”. A agência esclareceu que o programa L’Space, citado por Laysa, é um workshop educacional para estudantes, não um estágio ou treinamento oficial de astronautas. Além disso, uma foto de 2022 compartilhada por Laysa com um capacete da NASA foi questionada, pois a mesma imagem apareceu em seu Instagram sem o logotipo, sugerindo edição.

Titans Space e a Missão de 2029

A Titans Space, empresa privada que Laysa afirma representar, confirmou sua seleção para a missão de 2029, mas não esclareceu se ela atuará como astronauta de carreira ou turista espacial, uma modalidade oferecida por US$ 1 milhão (R$ 5,5 milhões). A companhia, sediada em Orlando, Flórida, não possui licença da Administração Federal de Aviação (FAA) para voos espaciais tripulados, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade da missão. O site da Titans Space está desatualizado, e o nome de Laysa não consta na lista oficial de astronautas para o voo, conforme verificado pelo G1 e Metrópoles. Neal Lachman, representante da empresa, confirmou a participação de Laysa, mas sem detalhes sobre seu papel.

Inconsistências Acadêmicas

Laysa afirmou ter cursado Física na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ser mestranda em Aplicação de Computação e Física Quântica na Universidade Columbia, em Nova York. No entanto:

  • A UFMG confirmou que Laysa ingressou no curso de Física em 2021, mas foi desligada em 2023 por não se matricular no segundo semestre, cursando apenas quatro períodos.
  • A Columbia University informou que não há registros de Laysa em seus programas de graduação ou pós-graduação.
  • Laysa esclareceu ao Leo Dias que se transferiu para o Manhattan College, em Nova York, onde estuda Física e Computação, mas não apresentou comprovantes.

Ela também alegou no LinkedIn (excluído em 11 de junho) ser fellow da Sociedade Max Planck, ter descoberto um asteroide (LPS0003) em 2020, e possuir certificações do MIT em Machine Learning. A campanha de descoberta do asteroide, via International Astronomical Search Collaboration (IASC), foi confirmada, com Laysa recebendo a Medalha de Mérito do MCTI e da NASA/IASC, entregue por Marcos Pontes em 2021. Contudo, o curso do MIT é online e aberto, não um programa exclusivo.Resposta de Laysa e Assessoria

Em nota ao Portal Leo Dias, Laysa negou ter dito que era funcionária da NASA ou astronauta da agência, afirmando que sua única menção à NASA foi sobre Bill McArthur, comandante da missão da Titans Space. Ela explicou que participou do NASA L’Space Academy, um programa educacional onde liderou o projeto AquaMoon (para extração de água lunar), recebendo certificados, e do Advanced Space Academy, no U.S. Space & Rocket Center, Alabama, em 2022. Este curso, porém, é pago (Laysa fez uma vaquinha para custeá-lo) e voltado para entusiastas, não confere formação oficial de astronauta.

A assessoria de Laysa, em comunicado ao O Tempo, reiterou: “No post de 5 de junho, Laysa explica que foi selecionada pela Titans Space. Em nenhum momento cita ser astronauta da NASA. O post nunca foi editado”. No entanto, o G1 apontou que a publicação foi, sim, editada, e posts anteriores de 2022 sugeriam treinamento oficial da NASA. Ela também foi medalhista de prata na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) em 2020 e bronze na Competição Internacional de Astronomia e Astrofísica.

Reconhecimento e Controvérsia

Laysa foi destaque na lista Forbes Under 30 de 2023, na categoria Ciência e Educação, por sua trajetória como estudante de Física no Manhattan College e por liderar projetos como o MADSS (sonda para Saturno) e AquaMoon. Em 2023, palestrou com a astronauta Cady Coleman, sua inspiração, e foi reconhecida pela Câmara de Contagem com o Mérito Educacional Carlos Drummond de Andrade. Contudo, suas alegações sobre liderar equipes na NASA aos 19 anos e ser a “primeira brasileira a conduzir experimentos em gravidade zero” foram contestadas, pois o voo de gravidade zero previsto para 2024 não ocorreu.

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