Mesmo integrando a Esplanada dos Ministérios, os partidos União Brasil e Progressistas (PP) anunciaram, nesta quarta-feira (11), que irão se posicionar contra qualquer iniciativa do governo Lula que proponha aumento de tributos. O anúncio foi feito antes mesmo da publicação da Medida Provisória (MP) que deve detalhar um novo pacote de arrecadação, prevista para quinta-feira (12), e marca uma inflexão importante na relação do governo com duas das principais siglas do Centrão.
A reação se antecipa a medidas da equipe econômica que incluem a taxação de fundos de investimento atualmente isentos, como forma de compensar perdas com a redução no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A proposta, contudo, já enfrenta resistência significativa no Congresso.
Durante coletiva no Salão Verde da Câmara dos Deputados, os presidentes nacionais das duas legendas, Antônio de Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP), formalizaram o posicionamento da nova federação entre os partidos, sinalizando distanciamento do Planalto.
“Taxar, taxar e taxar não será a saída. É preciso cortar despesas. Se o governo não fizer sua parte, não aceitaremos aumento de impostos”, afirmou Rueda, acrescentando que as bancadas no Senado e na Câmara votarão unidas contra qualquer proposta sem contrapartidas de redução de gastos.
Ciro Nogueira adotou tom semelhante e negou que a decisão represente um ataque direto ao governo, classificando-a como um compromisso com o contribuinte:
“Respeitamos o ministro Fernando Haddad, mas falta ao governo transparência e competência para lidar com o momento atual. É hora de definir quem está a favor ou contra o aumento da carga tributária.”
Indagado sobre eventuais cortes no orçamento do Legislativo, Nogueira afirmou que todos os Poderes devem participar do esforço de ajuste fiscal:
“Sim, aceitamos cortes em emendas parlamentares”, declarou, com o apoio de Rueda: “Todo mundo terá que cortar na carne.”
O anúncio contou com a presença de figuras de peso, como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e parlamentares da ala bolsonarista, como o senador Izalci Lucas (PL-DF), evidenciando uma articulação mais ampla para barrar o avanço do pacote fiscal.
Desafio fiscal de R$ 20 bilhões em 2025
Do lado do governo, a equipe econômica ainda busca alternativas para fechar a conta em 2025, estimando a necessidade de aumentar a arrecadação em cerca de R$ 20 bilhões para cumprir as metas do novo arcabouço fiscal. Entre as medidas avaliadas estão a revisão de desonerações, a taxação de apostas eletrônicas (as “bets”) e a cobrança de 5% sobre rendimentos de LCI e LCA – proposta que encontra forte resistência entre os parlamentares.
Líderes do Congresso cobram que o Planalto promova cortes de despesas e ajuste a máquina pública antes de discutir novos tributos. O impasse sinaliza um clima de tensão crescente entre Executivo e Legislativo, que pode se agravar na reta final do semestre legislativo.
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados