A rua Ataíde Veroni, no bairro São Francisco, zona Sul de Manaus, voltou a ser palco de reclamações dos moradores devido à má qualidade dos serviços de infraestrutura realizados pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).
O Problema da Manilha Quebrada
O transtorno começou quando uma equipe da Águas de Manaus realizou um serviço na rua, danificando uma manilha de concreto usada na tubulação de drenagem. Um trator teria colidido com a estrutura, causando a quebra. A Seminf foi acionada e enviou trabalhadores para reparar o dano no dia 5 de junho. No entanto, segundo os moradores, o serviço foi apenas um “remendo”, sem a substituição da manilha ou aplicação de asfalto adequado. Um vídeo gravado por um residente no momento do reparo capturou a insatisfação: “Vou gravar isso aqui porque sei que daqui a três meses isso abre de novo.”
Para surpresa dos moradores, o buraco reabriu em apenas três dias, no dia 8 de junho, após chuvas intensas que comprometeram a estrutura remendada. A cratera resultante, cheia de barro e sem asfalto, expôs a precariedade do serviço. A situação também afetou calçadas de residências próximas e colocou em risco um poste de energia, que moradores temem que possa desabar.
Impacto das Chuvas e Falhas Estruturais
Localizada em uma área baixa da rua, a Ataíde Veroni sofre com o fluxo intenso de água durante chuvas, o que agrava problemas de infraestrutura. Um morador entrevistado, identificado como Jonathan, destacou que a força da água compromete a pavimentação e a drenagem, resultando em pelo menos “34 buracos” ao longo da via. A falta de drenagem profunda, como canaletas e tubulações adequadas, é uma queixa recorrente, conforme relatado em outras denúncias sobre Manaus.
Outro residente, Juscelino, expressou indignação com a situação, apontando que a rua é uma ladeira que canaliza água de áreas mais altas, como uma escola e residências próximas. “Tudo está comprometido. A chuva aumenta o fluxo, e a infraestrutura não aguenta”, disse. Ele também alertou para o risco de colapso do poste de energia, que poderia deixar o bairro sem eletricidade, especialmente com a chegada do período chuvoso.
Revolta com o Desperdício de Recursos
A principal crítica dos moradores é o desperdício de recursos públicos. Juscelino, que afirma morar no São Francisco há 50 anos, destacou que os impostos pagos pela comunidade, incluindo o IPTU, não se revertem em melhorias duradouras. “Pagamos IPTU, e o dinheiro vai pelo ralo. Fazem um serviço pela metade, estraga tudo, e jogam mais dinheiro no lixo”, desabafou. Ele estimou que o bairro tem cerca de 52 mil moradores, todos afetados pela precariedade das vias.
A sensação de abandono é agravada pela percepção de que a prefeitura prioriza áreas nobres, como o Vieiralves, enquanto bairros periféricos como São Francisco permanecem negligenciados. Juscelino também criticou a gestão do prefeito David Almeida, afirmando que o bairro é “esquecido” e que os serviços da Seminf são insuficientes. “Fazem um remendo, e em poucos dias está tudo destruído de novo”, disse.
Outras Demandas do Bairro
Além dos buracos, os moradores relataram outros problemas crônicos, como a falta de sinalização e passarelas adequadas. Juscelino mencionou que uma passarela instalada anteriormente atendia três bairros (São Francisco, Cachoeirinha e Praça 14), mas foi removida, prejudicando trabalhadores e estudantes. Ele também apresentou um abaixo-assinado com mais de 6.500 assinaturas de sete escolas locais, entregue à Câmara Municipal de Manaus (CMM), sem resposta. “Os vereadores não fazem nada. Ganham nosso dinheiro e não resolvem”, afirmou.