A Polícia Civil do Amazonas prendeu em flagrante, no município de Borba, a 151 km de Manaus, um homem de 19 anos e apreendeu um adolescente de 15 anos acusados de estuprar uma adolescente de 14 anos no dia 2 de junho, durante os festejos de Santo Antônio. O crime, ocorrido em meio ao consumo de bebidas alcoólicas, foi gravado pelos agressores e compartilhado em grupos de WhatsApp, configurando também crimes digitais. A vítima, que estava embriagada e não se recorda do ocorrido, descobriu o abuso por meio dos vídeos divulgados, segundo relato de sua mãe à polícia.
Detalhes do Crime
O delegado Jorge Arcanjo, titular da Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Borba, informou que o caso veio à tona no domingo (8), quando a mãe da vítima teve acesso aos vídeos que circulavam nas redes sociais. A equipe do 74º DIP agiu rapidamente, capturando o homem e o adolescente na mesma noite. Durante a abordagem, com anuência dos suspeitos, os policiais verificaram seus celulares e confirmaram que os vídeos estavam sendo compartilhados em grupos de WhatsApp desde o dia do crime.
A vítima, que apresentava sinais de embriaguez no momento do estupro, está sendo submetida a um depoimento especializado na sede do 74º DIP, na seção de vulneráveis, para esclarecer os detalhes do ocorrido. “A princípio, ela estava embriagada, o que pode caracterizar vulnerabilidade temporária, enquadrando o crime como estupro de vulnerável, conforme o artigo 217-A do Código Penal”, explicou Arcanjo. A pena para estupro de vulnerável varia de 8 a 15 anos de prisão, e o homem também foi indiciado por corrupção de menores, por envolver o adolescente de 15 anos, e por divulgação de conteúdo pornográfico infantil, conforme o artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Contexto e Consumo de Bebidas Alcoólicas
O crime ocorreu durante os festejos de Santo Antônio, período em que o consumo de bebidas alcoólicas aumenta entre jovens nas ruas de Borba. A adolescente teria sido forçada a ingerir álcool, o que agravou sua vulnerabilidade. O delegado destacou que a polícia está intensificando a fiscalização em bares do município para coibir a venda de bebidas a menores, especialmente após a recente Operação Pais de Antônio, que prendeu líderes do tráfico de drogas na região, reduzindo o consumo de entorpecentes, mas possivelmente aumentando a procura por álcool.
Arcanjo também levantou a possibilidade de aliciamento, já que o fornecimento de bebidas alcoólicas a menores pode configurar crime previsto no artigo 243 do ECA, com pena de 2 a 4 anos de detenção. A investigação busca esclarecer se outros indivíduos estão envolvidos, já que o local exato do crime ainda não foi identificado. A prisão temporária do homem foi solicitada para aprofundar as apurações, e a audiência de custódia, realizada nesta segunda-feira (9), decidirá sobre sua manutenção.