Por: Rosane Gama
Nos últimos anos, uma série de atentados contra figuras políticas de direita ao redor do mundo reacendeu o debate sobre a radicalização política e a crescente intolerância ideológica. De Donald Trump nos Estados Unidos a Jair Bolsonaro no Brasil, passando por Miguel Uribe na Colômbia e Fernando Villavicencio no Equador, a violência contra líderes conservadores segue um padrão perturbador: a tentativa de silenciar, por meio da força, aqueles que representam projetos políticos à direita do espectro ideológico.
Todos os quatro casos mais recentes envolvem políticos identificados com a direita ou o conservadorismo em seus respectivos países:
- Miguel Uribe (Colômbia): senador conservador, baleado durante evento em Bogotá. Um menor de 15 anos foi preso com uma pistola. A motivação oficial ainda está sendo investigada, mas o histórico de tensões entre o uribismo (ligado ao ex-presidente Álvaro Uribe) e o governo de esquerda de Gustavo Petro acirra as suspeitas de motivação política.

Miguel Uribe, candidato presidencial colombiano de extrema-direita, foi baleado durante um evento em Bogotá, neste sábado (7). Foto: Reprodução
- Fernando Villavicencio (Equador): jornalista investigativo e candidato de centro-direita, foi assassinado a tiros. Denunciava narcotráfico e corrupção ligados a elites políticas, frequentemente associadas à esquerda no país.

Seguidor de Fernando Villavicensio captou o exato momento em que ele foi assassinado. (Imagem: Reprodução / Twiiter)
- Jair Bolsonaro (Brasil): em 2018, foi esfaqueado por Adélio Bispo, um ex-filiado ao PSOL, partido de esquerda. O agressor declarou motivações ideológicas e religiosas, sendo considerado inimputável posteriormente.

Adelio Bispo (no destaque) dois minutos antes de atacar Jair Bolsonaro Foto: Fabio Motta/Estadão

Jair Bolsonaro era levado nos ombros por militantes quando foi atingido por golpe de faca (imagem: reprodução)
- Donald Trump (EUA): em 2024, o ex-presidente foi atingido de raspão por um disparo de fuzil AR-15 durante um comício. O atirador, morto no local, tinha histórico de rejeição social e ainda não teve sua motivação completamente revelada, mas o ataque alimentou suspeitas de terrorismo doméstico e ódio político.

Comício de Donald Trump é interrompido após supostos sons de tiros, em 13 de julho de 2024. Foto: Rebecca Droke/AFP

Donald Trump estava discursando na Pensilvânia quando foi atingido – Foto: Reprodução/ Globonews
Radicalização e intolerância
Embora as investigações apontem nuances diferentes em cada caso, é evidente que todos os políticos atacados nos últimos anos são representantes de projetos de direita ou conservadores. Em muitos dos casos, o agressor era simpatizante ou ex-integrante de grupos alinhados à esquerda, ou motivado por aversão ideológica intensa.
A pergunta que se impõe é: por que a direita tem sido alvo preferencial da violência política?
Especialistas apontam que a polarização crescente incentivada por redes sociais, discursos de ódio e intolerância ideológica tem levado à desumanização do oponente político. A direita, frequentemente taxada por seus opositores como “fascista” ou “inimiga dos direitos”, acaba sendo retratada como um mal a ser eliminado, o que, para mentes desequilibradas ou fanáticas, se traduz em justificativa para o uso da violência.
Líderes de direita sob ameaça: uma linha do tempo
Nos últimos anos, a lista de líderes de direita que foram vítimas de atentados ou tentativas de assassinato inclui:
- Jair Bolsonaro (Brasil, 2018) – Esfaqueado durante campanha.
- Donald Trump (EUA, 2024) – Tiro de fuzil em comício.
- Fernando Villavicencio (Equador, 2023) – Assassinato com 3 tiros na cabeça.
- Miguel Uribe (Colômbia, 2025) – Baleado durante ato público.
- Robert Fico (Eslováquia, 2024) – Primeiro-ministro conservador, baleado a queima-roupa após reunião pública (sobreviveu).
- Giorgia Meloni (Itália) – Sofreu ameaças graves durante campanha em 2022; segurança foi reforçada.
A democracia em risco
Independente da posição política, atentados como esses devem ser condenados com veemência. A violência política destrói os pilares da democracia e cria precedentes perigosos. A disputa de ideias deve ocorrer no debate público, no voto e nas instituições não no cano de uma arma ou na ponta de uma faca.