O técnico italiano Carlo Ancelotti, aos 65 anos, faz sua estreia no comando da Seleção Brasileira nesta quinta-feira (5/06) contra o Equador, às 20h (de Brasília), no Estádio Monumental Isidro Romero Carbo, em Guayaquil, pela 15ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026. Após passagens por Fernando Diniz e Dorival Júnior, que não se consolidaram desde a saída de Tite em 2022, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aposta no multicampeão ex-treinador do Real Madrid para recuperar a confiança da pentacampeã mundial. Em um contexto amazônico marcado pelo Festival de Parintins e a COP 30, a estreia de Ancelotti mobiliza torcedores em Manaus e no Brasil, com expectativas altas para o hexa.
Contexto da Estreia
Ancelotti, anunciado em 12 de maio de 2025 pela CBF, assume a Seleção após uma negociação conturbada com o Real Madrid, onde conquistou três Ligas dos Campeões e 15 títulos. Com contrato até o fim da Copa de 2026, o italiano inicia seu ciclo em um momento crucial: o Brasil ocupa a quarta colocação nas Eliminatórias, com 21 pontos (6 vitórias, 3 empates, 5 derrotas), enquanto o Equador, vice-líder com 23 pontos, está invicto em casa sob o comando de Sebastián Beccacece. Uma vitória em Guayaquil pode colocar o Brasil na vice-liderança, enquanto duas vitórias (contra Equador e Paraguai, dia 10/06, em São Paulo) praticamente garantem a classificação direta.
A Argentina (31 pontos) é a única classificada para o Mundial de Estados Unidos, México e Canadá. As Eliminatórias sul-americanas oferecem seis vagas diretas, com o sétimo colocado disputando uma repescagem intercontinental. Com quatro rodadas restantes, a disputa está acirrada: Uruguai (3º, 21 pontos), Paraguai (5º, 21 pontos), e Colômbia (6º, 20 pontos) estão próximos, enquanto a Venezuela (7º, 15 pontos) ainda sonha com a repescagem.
Escalação e Preparação
Embora Ancelotti mantenha sigilo tático, o treino com o elenco completo no CT Joaquim Grava, em São Paulo, indicou um 4-3-3 com triângulo invertido no meio-campo, que pode se transformar em 4-4-2 sem a bola. A provável escalação é:
- Alisson; Vanderson, Danilo, Marquinhos, Alex Sandro; Casemiro, Andreas Pereira, Andrey Santos; Estêvão, Vinícius Júnior, Richarlison.
Desfalques incluem Raphinha (suspenso por cartão amarelo), Rodrygo (desgastado fisicamente), Endrick (lesionado), e Ederson (pubalgia). Neymar, recuperado, mas sem ritmo após jogos pelo Santos, foi deixado de fora, com Ancelotti destacando: “Contamos com ele na melhor versão para o Mundial.” Casemiro, ausente desde outubro de 2023, retorna como titular, enquanto Estêvão, jovem do Palmeiras, ganha chance no ataque.
O último treino, realizado na quarta-feira (4/06) no Estádio Monumental, foi parcialmente fechado, com foco em reconhecimento do gramado e ajustes táticos. Ancelotti, em coletiva às 14h45 (de Brasília), descreveu a semana como “bonita e intensa”, elogiando a recepção dos torcedores em Guayaquil e a motivação do elenco: “Estamos preparados para um teste difícil.” Ele destacou a defesa sólida do Equador, liderada por Willian Pacho e Piero Hincapié, e o meio-campista Moisés Caicedo, autor de um gol decisivo na Conference League.
A delegação, que incluiu os auxiliares Paul Clement, Francesco Mauri, Mino Fulco, Simone Montanaro, e o preparador físico Cristiano Nunes (Atlético-MG), chegou a Guayaquil na terça-feira (3/06) após seis horas de voo e foi recebida com festa por torcedores.
O Adversário: Equador
O Equador, com quatro vitórias consecutivas e três empates em casa, é um desafio tático. A escalação provável, sob o comando de Beccacece, é:
- Hernán Galíndez; Angelo Preciado, Willian Pacho, Piero Hincapié, Pervis Estupiñán; Alan Franco, Moisés Caicedo, Pedro Vite, John Yeboah, Alan Minda; Enner Valencia.
A mudança do jogo de Quito (2.850 m de altitude) para Guayaquil (nível do mar) reduz o impacto físico, mas a umidade e o calor da cidade portuária exigem preparo. O Equador, que pode se classificar com uma vitória, aposta em Valencia e Gonzalo Plata, mesmo em recuperação física.
Historicamente, o Brasil domina o confronto, com 11 vitórias, 2 empates, e 3 derrotas em 16 jogos desde 2001. A última partida, em setembro de 2024, terminou com vitória brasileira por 1 a 0 (gol de Rodrygo) em Curitiba.
Cenário para Classificação
O Brasil, com 21 pontos, pode garantir a classificação direta ou a repescagem nas próximas rodadas:
- Duas vitórias (Equador e Paraguai): Com 27 pontos, o Brasil assegura ao menos a repescagem se a Venezuela (15 pontos) perder para Bolívia (6/06) ou Uruguai (10/06). A classificação direta é provável com tropeços de Uruguai ou Paraguai.
- Sem seis pontos: O Brasil depende de derrotas de Bolívia e Venezuela, que se enfrentam em 6 de junho, para confirmar a vaga com menos pontos.
A Neo Química Arena, em São Paulo, receberá o jogo contra o Paraguai (10/06, 21h45), com 47 mil ingressos à venda a partir de 15 a 25 dias antes, por R$ 110 a R$ 380 (estimativa baseada no jogo contra a Colômbia em 2024). A Globo, SporTV, e Globoplay transmitirão ao vivo.