Plínio Valério denuncia rompimento de aterro na obra da ponte do rio Curuçá na BR-319

Rompimento de aterro em obra da ponte do rio Curuçá na BR-319 causa transtornos no tráfego e preocupações sobre a segurança da rodovia.
Redação Imediato Online
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Na manhã de domingo (1º/06), parte do aterro em construção para a nova ponte sobre o rio Curuçá, localizada no km 23,1 da BR-319, próximo ao município de Careiro da Várzea (56 km de Manaus), rompeu, causando transtornos no tráfego da rodovia. A área, utilizada como passagem provisória para veículos, ficou comprometida, gerando longas filas, conforme registrado em vídeos compartilhados no Instagram pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM). Não há relatos de mortes ou feridos, mas o incidente reacende preocupações sobre a infraestrutura da BR-319.

Detalhes do Incidente

O rompimento ocorreu em um aterro que faz parte da obra de reconstrução da nova ponte sobre o rio Curuçá, iniciada após o desabamento da estrutura original em 28 de setembro de 2022, que resultou em cinco mortes e 14 feridos. O aterro servia como passagem temporária para veículos enquanto a ponte, com 75% dos serviços executados, não é concluída. Vídeos divulgados pelo senador Plínio Valério mostram filas de carros e caminhões aguardando a liberação da via, com motoristas enfrentando atrasos significativos.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) foi contatado por veículos de imprensa, como o portal Segundo a Segundo, mas não forneceu esclarecimentos sobre as causas do rompimento até o momento. A ausência de respostas aumenta a insatisfação de moradores e trabalhadores que dependem da BR-319, principal ligação terrestre entre Manaus e Porto Velho (RO).

Contexto da Reconstrução

Em 18 de maio de 2025, o superintendente do DNIT no Amazonas, Orlando Machado, acompanhado do senador Eduardo Braga (MDB-AM), visitou o canteiro de obras e anunciou que a nova ponte, com 150 metros de extensão e 13 metros de largura, será entregue em setembro de 2025, antecipando a previsão inicial de outubro ou novembro. Machado destacou que a fase mais desafiadora, envolvendo as fundações, foi concluída, e as equipes estão posicionando vigas longarinas metálicas e preparando o tabuleiro da ponte. O investimento federal na obra é de R$ 27,3 milhões.

A antiga ponte do Curuçá, construída há décadas, colapsou em 2022 devido à falta de manutenção, conforme denunciado pelo prefeito de Careiro Castanho, Nathan Macena, que classificou o desabamento como uma “tragédia anunciada”. Desde então, o tráfego na região depende de balsas, que enfrentam problemas como longas filas e interrupções, especialmente durante a estiagem amazônica. Em novembro de 2023, uma balsa no mesmo local afundou com o peso de uma carreta, evidenciando a precariedade das soluções temporárias.

Impactos na Região

O rompimento do aterro agrava os desafios enfrentados por comunidades de Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Autazes, e Manaquiri, que dependem da BR-319 para transporte de alimentos, combustíveis e outros insumos. O agricultor Jorge Luiz dos Santos, presidente da Associação de Produtores Orgânicos Renascer de Careiro da Várzea, relatou que a queda da ponte em 2022 já comprometeu o escoamento de produtos como abacaxi, e o novo incidente pode intensificar o desabastecimento.

A BR-319, criada na década de 1970 para integrar o Amazonas ao resto do país, sofre com falta de pavimentação em trechos extensos e estruturas precárias, como as pontes sobre os rios Curuçá e Autaz-Mirim (esta última desabou em 8 de outubro de 2022, sem vítimas). A rodovia é essencial para cerca de 140 mil habitantes dos municípios afetados, mas os constantes problemas de infraestrutura limitam o desenvolvimento econômico e social.

Cobranças e Perspectivas

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) criticou a demora na reconstrução da ponte, destacando que o colapso de 2022 completou três anos sem uma solução definitiva. “É muito sofrimento. Isso mostra a necessidade de continuarmos cobrando” escreveu no Instagram. A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), que visitou o local em setembro de 2024, também cobrou ações efetivas, apontando que a falta de pontes prejudica o acesso a bens essenciais e viola direitos de comunidades vulneráveis.

A Polícia Federal (PF), o Ministério Público Federal (MPF), e a Polícia Civil do Amazonas ainda investigam as causas do desabamento de 2022, mas, até o momento, não há um laudo final ou responsáveis identificados. A DPE-AM enfatizou a importância de apurar se houve negligência, além de preservar a memória das vítimas.

O DNIT informou que a nova ponte está em fase final, com a superestrutura em andamento e previsão de entrega em setembro de 2025. No entanto, o rompimento do aterro evidencia a fragilidade das soluções temporárias e reforça a urgência de obras permanentes. Enquanto isso, o governo estadual mantém balsas para a travessia, mas a instabilidade do serviço continua gerando transtornos.

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