Com receitas em mãos e rostos marcados pela angústia, um grupo de mães do bairro Cidade Nova, na zona norte de Manaus, se mobilizou para denunciar a falta de medicamentos essenciais para o tratamento de seus filhos autistas, especialmente aqueles que sofrem com crises convulsivas.
As mães, organizadas no grupo “Supermães”, afirmam que estão há mais de cinco meses sem conseguir acesso ao remédio nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital. O medicamento, segundo elas, é fundamental para controlar as convulsões, que colocam as vidas das crianças em risco.
“Desde o ano passado não conseguimos mais pegar essa medicação. Nossos filhos precisam dela para viver. Mesmo tomando o remédio, eles ainda têm crises; sem ele, é muito pior. Estamos lutando para que a Prefeitura olhe com mais carinho e atenção para essa situação”, desabafou Dona Sandra, uma das mães que lidera a mobilização.
A luta é marcada por busca constante e, muitas vezes, frustrante. “Não é falta de interesse. Muitas mães já procuraram em outras unidades de saúde, em bairros distantes, mas não encontram. Pedimos, marcamos a Prefeitura nas redes sociais, mas ninguém nos dá uma resposta”, relatou outra mãe, emocionada.
A ausência do medicamento já resultou em tragédias. “Infelizmente, tivemos óbito no nosso grupo por conta da falta de medicação. A criança convulsionou e não resistiu. Por isso, nosso apelo é por vida. Queremos vida para nossos filhos. São crianças especiais, mas são nossos filhos, e eles merecem viver”, declarou uma das integrantes do grupo, com a voz embargada.
As mães fazem um apelo direto ao prefeito e à Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), pedindo que a situação seja tratada com urgência. “Só queremos aquilo que é direito dos nossos filhos: saúde e dignidade. Esse remédio garante a vida deles”, reforçaram.
Até o momento, não houve pronunciamento oficial da Prefeitura sobre a falta do medicamento.
Foto: Tarcísio Heden