A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) distribuiu 2,3 milhões de unidades de hipoclorito de sódio a 2,5% entre janeiro e 12 de maio de 2025, para os 62 municípios do Amazonas. O insumo é essencial para garantir água potável durante as enchentes dos rios, minimizando o risco de doenças hídricas como leptospirose, hepatite A e diarreia, que aumentam no período chuvoso. A ação, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), integra o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais do Governo do Amazonas, liderado pelo governador Wilson Lima.
Importância do hipoclorito de sódio
O hipoclorito de sódio a 2,5% é utilizado para desinfetar água em situações de emergência, como as enchentes que afetam comunidades ribeirinhas e rurais. A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca seu papel: “O hipoclorito é essencial para garantir acesso à água segura, contribuindo diretamente para a prevenção de doenças e a proteção da saúde da população.” A dosagem recomendada é uma gota por litro de água, com espera de 30 minutos antes do consumo.
A distribuição prioriza áreas de risco, especialmente no interior, onde 49 municípios estão em alerta máximo para cheias, segundo a Defesa Civil do Amazonas. Em 2025, as enchentes já afetaram 342 mil pessoas no estado, com 18 municípios em estado de emergência até maio, conforme dados do Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa).
Ações preventivas e notas técnicas
A FVS-RCP intensificou a vigilância em saúde com duas notas técnicas publicadas em 2025:
- Nota Técnica de 26/05/2025: Foca na leptospirose, orientando sobre vigilância, prevenção, controle e diagnóstico laboratorial. Disponível em: https://encurtador.com.br/SRISa. A doença, transmitida por água contaminada com urina de roedores, teve 1.200 casos suspeitos em 2024, com 12 óbitos.
- Nota Técnica de Abril/2025: Orienta gestores municipais sobre medidas durante enchentes, incluindo atualização dos Planos de Contingência para Inundações, monitoramento de doenças e gestão de estoques de hipoclorito. Disponível em: https://encurtador.com.br/08h3K.
As recomendações incluem:
- Gerenciamento de estoques: Priorizar a distribuição de hipoclorito em áreas rurais e comunidades isoladas.
- Sistemas de abastecimento: Identificar estruturas afetadas e implementar soluções alternativas, como filtros e cloração manual.
- Capacitação: Treinar agentes comunitários para orientar a população sobre o uso correto do hipoclorito.
- Vigilância epidemiológica: Monitorar surtos de doenças hídricas e reforçar a notificação no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
O responsável pelo Planejamento, Emergências em Saúde Pública e Ações Estratégicas da FVS-RCP, Augusto Zany, enfatiza: “Os gestores locais devem planejar ações preventivas e adotar medidas imediatas para minimizar riscos à saúde.”
Vigilância em saúde e impacto
A FVS-RCP desempenha um papel estratégico na vigilância em saúde, monitorando:
- Doenças transmissíveis: Leptospirose, diarreia aguda, hepatite A e dengue.
- Doenças não transmissíveis: Relacionadas a desastres, como hipertensão e diabetes descompensados.
- Qualidade da água: Análise laboratorial para garantir potabilidade.
- Imunização: Campanhas de vacinação em áreas afetadas, com 90% de cobertura para hepatite A em 2024.
- Morbimortalidade: Notificação de óbitos e internações, com redução de 15% em mortes por doenças hídricas em 2024, comparado a 2023.
A distribuição de hipoclorito, aliada a programas como Água Boa, beneficiou 12 mil pessoas em comunidades ribeirinhas desde 2023. Em 2025, a FVS-RCP planeja alcançar 500 mil pessoas com ações de promoção da saúde, incluindo 10 mil kits de hipoclorito para famílias em áreas de difícil acesso.